sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
Carta Convocatorio: Congresso dos Pescadores e Pescadoras Artesanais da Bacia do Rio São Francisco
Vamos Tecer a Rede do Bem Viver!
Louvado sejam os
Pescadores e Pescadoras Artesanais da Bacia do Rio São Francisco, Lutadores e
Lutadoras, Parceiros e Parceiras do Velho Chico.
| Foto: J.Zinclar |
Nos últimos dez anos
acelerou-se o processo de morte do Velho Chico. O governo, nos três níveis,
abraça o modelo de desenvolvimento predador. Avança destemidamente, a política
econômica de exportação: o agronegócio, o monocultivo das pisciculturas, os canais
de irrigação, a mineração, a transposição, as barragens com matriz energética
insustentável... tudo isto, com os mais altos níveis de degradação envolvendo poluição,
envenenamento, grilagem e privatização das terras e águas públicas, desmatamento
e assoreamento dos rios. Os peixes diminuem em quantidade e em qualidade e as
comunidades pesqueiras vêm perdendo seus territórios tradicionais e direitos já
conquistados. As nascentes do Rio São Francisco se encontram em processo
crescente de extinção. Na sua Foz o mar
avança para dentro do rio numa demonstração de que o Velho Chico está perdendo
sua força. Junto com o Rio, as comunidades tradicionalmente pesqueiras sofrem
todos os tipos de mazelas, inclusive o da pesca predatória.
Diante das atrocidades,
os Pescadores e Pescadoras Artesanais vivenciam nas águas, a dor e o lamento do
Velho Chico, mas, não cruzam os braços! Agora mais que nunca as comunidades
tradicionais pesqueiras convocam os lutadores e lutadoras para um importante
momento:
Realização
do Congresso dos Pescadores e Pescadoras
Artesanais da Bacia do Rio São Francisco.
Tema: Grito do Rio e seu Povo na Busca do Bem
Viver!
Lema: Pescadores e Pescadoras Artesanais: Raiz de Esperança em Defesa da
Identidade dos Territórios Pesqueiros e pela Revitalização Popular do Velho
Chico.
O Congresso tem por Objetivo “Fortalecer
as Articulações das lutas dos pescadores e
pescadoras artesanais na afirmação da identidade e defesa dos territórios
pesqueiros, contra a degradação e pela revitalização popular, recolocando a
pesca artesanal da bacia do Rio São Francisco, no cenário nacional”.
Data: 01
a 03 de Abril de 2016.
Local: Ilha
do Fogo em Petrolina/PE, de onde o Grito da Pesca Artesanal do São Francisco vai ecoar!
Organize sua comunidade e venha participar!
“Não deixe o Rio morrer, se não morre o
ribeirinho de fome de sede e não sei mais o quê...!”
Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais do Brasil- MPP
Conselho Pastoral dos Pescadores - CPP
E-mail:cppnordeste2@bol.com.br
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Suape em cheque: agentes em defesa da pesca artesanal conseguem nova perícia para o caso do Complexo
Por assessoria de comunicação do CPP,
suape-em-cheque-agentes-em-defesa-da.html
Foto: Méle Dornelas
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| Pescadoras na mariscagem na praia de SUAPE. |
Desde que chegou ao
litoral Sul de Pernambuco, na década de 70, o Complexo Industrial Portuário de
Suape veio progressivamente interferindo na biodiversidade da região e,
consequentemente, nas dinâmicas ambientais de todo estado pernambucano. Não
bastasse, o Porto ataca ainda o modo de vida das populações tradicionais que,
com o apoio de organizações e movimento em defesa da pesca artesanal, passaram
a ser organizar para pressionar o Estado por medias que freiem o avanço dos
impactos do Complexo.
Pescadoras e pescadores
vêm denunciando a redução significativa do pescado, a dificuldade de locomoção
para o trabalho, a poluição nas águas, o desmatamento dos mangues dentre outros
impactos vindos com o crescimento desordenado, especialmente com o estabelecimento
de dragagens para a construção de estaleiros. “Os impactos das dragagens são
eternos porque pra manter a profundidade do canal tem sempre que estar cavando,
e isso interfere na vida dos peixes, é assim que eles estão diminuindo”,
destaca o pescador artesanal, Laílson Evangelista.
![]() |
| Pescadores em atividades dentro no estuário com o estaleiro Atlântico Sul al fundo. |
Já são mais de 10 anos de
descumprimento da aplicação das compensações ambientais impostas pelo
Ministério Público Federal por parte de Suape. Em 2011, os pescadores e as
pescadoras de Cabo de Santo Agostinho e adjacências, junto com parceiros,
conseguiram que o MPF entrasse com uma ação civil pública para resguardar seus
direitos dos impactos vindos com as dragagens do Porto, além de pedir estudos
mais aprofundados sobre o caso.
Desde então já foram
diversas audiências para discutira questão. Em setembro desse ano, o Juiz
federal, que vem acompanhando o caso, deu um prazo para as alegações finais no
processo, ou seja, estipulou que já existem provas suficientes para um parecer,
contrariando as demandas das comunidades pesqueiras e parceiros que
pressionaram por uma nova perícia.
Foi assim que nesse mês de
novembro, o MPF aprovou o pedido de nova perícia para o caso, o que garante uma
reavaliação mais justa dos impactos. “Analisar a ação com mais tempo é
importante, pois dá condições de apurar os verdadeiros impactos. Que seja feita
Justiça junto aos pescadores artesanais!”, se posiciona a agente do Conselho
Pastoral dos Pescadores Nordeste (CPP NE), Laurineide Santana.
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Carta Final: V SEMINÁRIO PESCA ARTESANAL E SUSTENTABILIDADE SOCIOAMBIENTAL:
V SEMINÁRIO PESCA ARTESANAL E SUSTENTABILIDADE
SOCIOAMBIENTAL:
EDUCAÇÃO E GOVERNANÇA
EDUCAÇÃO E GOVERNANÇA
Nós pescadoras e
pescadores artesanais, estudantes, educadores
populares, pesquisadores e funcionários públicos das mais diversas áreas
estivemos reunidos na realização do V
Seminário Pesca
Artesanal e Sustentabilidade Socioambiental: educação e governança, realizado
em Recife/PE, no período de 14 a 16 de outubro de 2015. O Seminário é
foi uma iniciativa da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), com o apoio do Conselho
Pastoral dos Pescadores (CPP). O evento teve como foco principal a educação e
governança, tendo como premissas a primeira como processo emancipador e a
segunda como tomadas de decisão de forma coletiva. As discussões se deram em
torno da importância econômica, social, cultural e ambiental da pesca artesanal
e das comunidades tradicionais. Além disso, abordamos as intervenções
governamentais em relação a essa atividade, os projetos sociais e a resposta
social, juntamente com as necessidades reais dessas comunidades.
Nas discussões
empreendidas, considerou-se que a pesca artesanal trata-se de uma atividade
tradicional de grande importância para a sociedade brasileira e, mesmo não
tendo o reconhecimento devido, tem um papel considerável na história do País. A
vulnerabilidade socioambiental das comunidades pesqueiras é resultado da
expansão do capital nos territórios tradicionais da pesca artesanal, por meio
da especulação imobiliária, da construção e operação de portos, instalação de grandes
indústrias, de atividades de mineração, de agro e de hidronegócio, da implantação
de matrizes energéticas, dentre outros empreendimentos estatais ou privados.
Essa realidade tem afetado e influenciado drasticamente no reconhecimento da
identidade pesqueira tradicional, favorecendo assim uma política de negação de
direitos, como a suspensão de dez modalidades do Seguro Defeso (Instrução
Normativa Interministerial MAPA/MMA Nº192/2015) no último dia 9 de outubro, e
os Decretos Nº 8424 e Nº 8425 (março, 2015), que atingem especialmente as
mulheres, desrespeitando as Diretrizes Voluntárias da FAO e a Convenção Nº 169
da OIT, de 27 de junho de 1989, da qual o Brasil é signatário e cujo texto foi
promulgado no Brasil por meio do Decreto Nº 5.051, de 19 de abril de 2004. Além
de negar identidades e direitos, esse modelo de “desenvolvimento” imposto pelo
Estado tem como consequência, também, o aumento das doenças ocupacionais, como
as infecções por contaminação das águas e do pescado.
No âmbito
educacional, observou-se que o extinto Programa Pescando
Letras não atendeu as necessidades e anseios das comunidades
pesqueiras, e não auxiliou a população a enriquecer o senso crítico
para o enfrentamento a essas problemáticas encontradas nos territórios
pesqueiros. O Programa Brasil Alfabetizado, apresentado no seminário pelo Diretor
de Políticas de Alfabetização, Diversidade e Educação de Jovens e Adultos da
Secadi/MEC, embora dito como o Programa que incorporou diretamente ações do
Pescando Letras, não era do conhecimento da maioria dos presentes.
Diante dessa
realidade, entendeu-se que, em termos de educação dirigida à
comunidades pesqueiras, é necessário inserir referências que contribuam para o
processo de emancipação e valorização do saber popular, reconhecendo as
pescadoras e os pescadores como sujeitos da sua própria história, detentores de
conhecimentos tradicionais, com capacidade de construção de saberes e gestão do
meio em que vivem. Uma educação que possibilite a oportunidade de participar da
construção de novos conhecimentos, visando à educação como um instrumento para
o exercício da sustentabilidade, ao considerar a cultura, as características
ecológicas e as diversidades locais na construção coletiva do saber. Nesse
sentido, reivindicou-se a criação de um Programa de Educação que atenda as
demandas das comunidades pesqueiras supracitadas, tendo como referência a
Educação Contextualizada.
Associado a tudo
isso exposto, a extinção do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) que foi
relocado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), aumenta
as incertezas devido a sua política que, alinhada aos interesses do
agronegócio, prioriza os projetos de interesses privados, com foco no lucro,
resultando em prática de uso e manejo dos recursos naturais que degradam o meio
ambiente e descaracterizam os territórios tradicionais. Nas discussões, o
Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) foi lembrado como uma alternativa
ao MAPA, no concerne ao abrigo das ações governamentais relativas à pesca
artesanal.
Durante todo o
evento destacou-se a urgência do Governo e da sociedade reconhecerem
a importância da atividade pesqueira artesanal e dos territórios pesqueiros na
cultura, na conservação ambiental e para a segurança e soberania alimentar do
povo brasileiro.
E que sejam
revogados os decretos Nº 8424 e Nº 8425, já citados, para assegurar os direitos,
identidades, cultura e o futuro dos pescadores e pescadoras artesanais,
respeitando as Diretrizes Voluntárias da FAO e a Convenção Nº 169 da OIT, além da
retomada das Portarias que foram suspensas para garantir, dessa forma, o
período de reprodução e, assim, a conservação das espécies e, em consequência,
da atividade pesqueira artesanal.
Reiterou-se
também o dever do Estado em reconhecer os Territórios Pesqueiros artesanais que
compreendem não somente os lugares de pescaria, mas os espaços de reprodução da
vida e da cultura tradicional. Esses territórios são espaços historicamente
pertencentes a comunidades que secularmente compartilham o uso dos bens
naturais comuns de forma equilibrada, contribuindo para a proteção da
biodiversidade natural. Nessa perspectiva, é dever do Estado reconhecer as
Reservas Extrativistas (Resex) como territórios pesqueiros, garantindo o
respeito aos seus limites físicos e à autonomia dos seus Conselhos Gestores nas
decisões referentes as mesmas. Além disso, é dever urgente do Estado reconhecer
e regularizar todos os demais Territórios Pesqueiros que não se
institucionalizaram como Resex, mas que são igualmente espaços de reprodução da
vida dessas comunidades, das espécies pesqueiras e de conservação da natureza.
O Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento por meio de sua representante, informou
no final do evento que estaria se articulando com o representante da Secretaria
de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) do
Ministério da Educação (MEC) para financiar as ações de alfabetização às
experiências apresentadas no Painel
Experiências de Educação em Comunidades Pesqueiras Artesanais, por meio do Programa Brasil Alfabetizado. E
que já estavam entrando em contato com os gestores estaduais e municipais para
concretizarem esse processo.
Como produtos do V Seminário Pesca Artesanal e Sustentabilidade Socioambiental: educação e
governança, além do presente documento, foram elaboradas
e aprovadas quatro moções, compreendendo: “Moção de Apoio à criação da RESEX
Marinha do Rio Sirinhaém”, em Pernambuco; “Moção de Apoio À Educação
Contextualizada em Comunidades Pesqueiras Artesanais”; “Moção de Repúdio à
Instrução Normativa Interministerial MAPA/MMA Nº192/2015”; e “Moção de Repúdio
à Suspensão do Parque dos Manguezais Josué de Castro”, de Recife,
Pernambuco. E o evento foi finalizado com cânticos de afirmação do Movimento
dos Pescadores e Pescadoras Artesanais.
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