sábado, 3 de janeiro de 2026

NOTA DE APOIO E SOLIDARIEDADE - A DOM LIMACEDO - BISPO DE AFOGADOS DA INGAZEIRA - PERNAMBUCO

 Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras – Regional Nordeste 2

Foto do Blog do Cauerodrigues.com

“O profeta é aquele que sabe olhar a realidade com os olhos de Deus e anunciar a esperança, mesmo quando isso incomoda. Não pode se afastar do povo, sobretudo dos mais pobres, porque é ali que Deus fala.” — Papa Francisco


 Ser profeta nas terras do Pajeú, onde foi semeado o testemunho profético de Dom Francisco Austregésilo, é assumir uma missão exigente e, muitas vezes, dolorosa. Assumir o pastoreio nessa realidade implica fidelidade ao Evangelho e coragem para anunciar a verdade, mesmo quando ela incomoda.  Apesar dos ensinamentos deixados por Dom Francisco, parte da classe abastada do Pajeú — marcada pela concentração de poder político e de terras — ainda não despertou para uma verdade fundamental: o profetismo nasce no meio do povo, caminha com o povo e se enraíza em suas dores, lutas e esperanças.

A voz profética brota do chão do povo. E, quando essa palavra é proclamada com verdade e justiça, ela fere a alma daqueles que não querem ouvir, porque desinstala, denuncia e revela. Por isso, não são poucos os ataques, inclusive nas redes sociais, movidos pela intolerância, pela desinformação e pelo incômodo diante de uma Igreja que escolhe estar ao lado dos pobres e dos povos tradicionais. O profeta não busca agradar aos ouvidos acomodados; ele inquieta consciências e aponta caminhos de conversão.

Ao mesmo tempo, é do próprio povo que brota o apoio, a defesa e o reconhecimento do pastoreio fiel. São as comunidades, os trabalhadores e trabalhadoras, os pescadores e pescadoras, os povos do sertão que reconhecem e sustentam a missão profética com sua fé, suas orações e sua presença concreta.

O Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras – Regional Nordeste 2 manifesta seu apoio fraterno a Dom Limacêdo Antônio da Silva, Bispo da Diocese de Afogados da Ingazeira, por seu testemunho fiel, corajoso e comprometido com os pobres, com os povos tradicionais e com a justiça do Reino de Deus.

Rogamos para que Deus continue concedendo a Dom Limacêdo força, sabedoria e serenidade para seguir no pastoreio fiel, mesmo em meio a tantos lobos. As ovelhas precisam continuar sendo orientadas, cuidadas e defendidas — sobretudo no tempo que se aproxima, marcado por desafios, disputas e provações.

Como ensinam os profetas, o verdadeiro pastor não foge diante do perigo: permanece, defende e entrega a vida por suas ovelhas.

Que a coragem profética siga iluminando o caminho e fortalecendo todos e todas que escolheram caminhar com o povo e pelo povo.

Olinda, 03 de janeiro de 2026

Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras - Regional Nordeste 2

sábado, 27 de dezembro de 2025

EM COMUNHÃO COM A COMUNIDADE TRADCIONAL PESQUEIRA DE BARRA DE MAMANGUAPE: NOTA DE APOIO E ESPERANÇA!

“A esperança tem duas filhas lindas: a indignação e a coragem. A indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las.”


foto: Imagem de Nossa Senhora dos Navegantes, Barra de Mamanguape/2025 

O Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras – CPP Nordeste 2, organismo ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), juntamente com Grupo de Reflexão e Estudos em Trabalho, Ambiente e Saúde GRETAS/UFPB, manifesta seu apoio e solidariedade à comunidade tradicional pesqueira de Barra de Mamanguape no município do Rio Tinto/PB, pelo ocorrido durante a celebração em devoção a Nossa Senhora dos Navegantes.

A celebração e a devoção vivida por esta comunidade expressam, há mais de cem anos, uma profunda experiência de fé, identidade e comunhão. Trata-se de uma tradição centenária que integra a espiritualidade cristã, herdada do processo histórico de colonização europeia, com os cultos aos encantados dos povos originários da região, reafirmando o respeito à diversidade religiosa, ao território tradicional e ao cuidado com a Casa Comum.

No dia 21 de dezembro de 2025, durante a realização da celebração centenária em honra a Nossa Senhora dos Navegantes, vivida há mais de cem anos pela comunidade tradicional de Barra de Mamanguape, ocorreu um incêndio que atingiu 11 veículos de pessoas que se deslocaram até o território para participar desse momento de fé e devoção. O incêndio ocorrido durante a festividade gerou apreensão, tristeza e sofrimento entre as famílias e todos e todas que participavam da celebração, ferindo simbolicamente um espaço de encontro, oração e partilha comunitária.

Manifestamos, ainda, nossa preocupação com o fato de que essa celebração tradicional e centenária, de grande relevância religiosa, cultural e social, não tenha recebido a devida visibilidade nos meios de comunicação, enquanto o incêndio foi amplamente noticiado por veículos de grande circulação, nos âmbitos local, regional e nacional. Tal situação evidencia a recorrente invisibilização das manifestações culturais e religiosas das comunidades tradicionais, que muitas vezes só ganham destaque quando associadas a episódios de tragédia.

Diante do ocorrido, manifestamos nossa solidariedade às pessoas diretamente atingidas e, de modo especial, à comunidade local e à Colônia de Pescadores Z-13, que, mesmo diante de suas limitações materiais, demonstraram grande espírito de solidariedade, organizando-se prontamente para prestar apoio imediato, acolher os envolvidos e conduzir a situação com responsabilidade, cuidado e espírito fraterno.

A comunidade de Barra de Mamanguape mantém, como princípio fundamental, o compromisso com a vida, com a paz, com a preservação do território tradicional e com o cuidado permanente da Casa Comum. Que este momento difícil possa fortalecer ainda mais a caminhada coletiva, o respeito mútuo e a construção de relações cada vez mais solidárias, responsáveis e comprometidas com as pessoas e com o ambiente.

Reafirmamos nossa solidariedade às famílias atingidas, à comunidade de Barra de Mamanguape e a todos os que sofreram com os impactos desse acontecimento, colocando-nos em comunhão e oração, na esperança de que a fé, a união comunitária e a justiça prevaleçam. Seguimos firmes na defesa da vida, da dignidade, da cultura e da espiritualidade das comunidades tradicionais, reconhecendo e valorizando suas expressões de fé como patrimônio vivo do povo. Nesse sentido nos colocamos no apoio para ajudar no que for possível dentro de nossas limitações;

Entre as chamas e a fé: a esperança que navega com o povo de Barra de Mamanguape”

Olinda, 26 de Dezembro de 2025

CPP NORDESTE 2 E GRETAS




 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Companheiras e companheiros pescadores e pescadoras das águas do Nordeste 2 — Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte,


🍸🍾 O Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP) saúda cada trabalhadora e
foto de José Rock 
trabalhador das águas que, em um ano marcado por duras ofensivas do capital, sustentou a luta cotidiana, denunciou injustiças e manteve viva a resistência das comunidades tradicionais. Do litoral ao sertão, das águas salgadas aos rios e açudes, uma verdade se reafirmou com força: quando o povo das águas se organiza, nenhum projeto de morte passa sem enfrentamento.

🎂🌻 2025 escancarou o projeto que tenta silenciar e expulsar os povos das águas. A privatização de rios, lagoas, estuários, manguezais e açudes; o assédio permanente de empresas que transformam territórios tradicionais em mercadoria; a criminalização da pesca artesanal; o avanço predatório da carcinicultura, da piscicultura, dos portos e dos empreendimentos de energia eólica e solar impostos sem consulta e sem respeito às comunidades; o desmonte das políticas públicas; e a violência cotidiana que atinge, sobretudo, as mulheres pescadoras — as mais exploradas, invisibilizadas e violentadas.

Mas também ficou evidente que as comunidades pesqueiras do Nordeste 2 amadureceram politicamente. Denunciaram, ocuparam, resistiram, tensionaram governos e mostraram que povos organizados são barreira viva contra a destruição dos territórios e dos modos de vida tradicionais.

🫂🫂 Nossa confraternização não é um gesto simbólico: é um ato político.
Celebrar é reafirmar a luta.
É afirmar que defender a pesca artesanal é enfrentar um modelo de desenvolvimento que devasta mangues, estuários, praias, rios, mares e açudes, concentra riqueza e produz pobreza, fome e expulsão.
É denunciar que não aceitaremos que governos — municipais, estaduais ou federais — sigam se curvando aos interesses do poder econômico enquanto ignoram, silenciam e criminalizam as comunidades tradicionais.

🌼🦀🌼 O CPP seguirá sendo presença profética, militante e popular, denunciando injustiças, pressionando o Estado e fortalecendo a organização de base. Porque a defesa dos territórios pesqueiros é parte inseparável da luta nacional por soberania alimentar, justiça ambiental e pelo direito dos povos decidirem sobre seus próprios modos de vida — sem tutela, sem silenciamento e sem expulsão.

🍾🌻🦀 Que o novo ano encontre a Articulação das Comunidades Pesqueiras do Nordeste 2 ainda mais radical na defesa dos direitos, mais firme diante das ameaças e mais unida frente às investidas do capital. Que cada comunidade fortaleça suas lideranças, sua capacidade de mobilização e sua consciência política — porque a mudança real nasce da força do povo organizado, não de gabinetes nem de promessas vazias.

🌼🌻🙏🏾 Que o Deus da Justiça — o Deus que toma partido dos pobres e das vítimas da opressão — acompanhe cada família pescadora e inspire coragem para enfrentar tudo aquilo que precisa ser enfrentado.

🎂💥🪷 Seguimos juntas e juntos: na fé que move, na força que organiza e na resistência que não recua.
Feliz Ano Novo!

Severino Antônio dos Santos - Bill

Secretario do Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras – CPP NE 2


segunda-feira, 13 de outubro de 2025

PASTORAL DOS PESCADORES E PESCADORAS LANÇA RELATORIO DE CONFLITOS SOCIOAMBINETAIS EM COMUNIDADE PESQUEIRAS, DURANTE REALIZAÇÃO DO SEMINÁRIO DE POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS - PELO DIRETIO AS CONSULTAS PRÉVIA, LIVRES, INFORMADAS E DE BOA FÉ NO RN.

 📢 CPP - Regional Nordeste 2 lança Relatório de Conflitos durante Seminário de Povos e Comunidades Tradicionais do RN 🐟⚖
Em parceria com o Serviço de Assistência Rural e Urbano (SAR), com o apoio da Comissão Pastoral Sociotransformadora da CNBB NE 2 e Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), realizou nos dias 10 e 11 de outubro, em Natal (RN), o Seminário “Povos e Comunidades Tradicionais do Rio Grande do Norte: pelo Direito à Consulta Prévia, Livre, Informada e de Boa-Fé”. ✊🏾🌎

🌊 Participaram pescadores e pescadoras, marisqueiras, povos indígenas, quilombolas, povos de terreiros e de matriz africana, além de pesquisadores e assessores locais, como as professoras Moema e Maria Dulce (UFRN) Ee o pesquisador Claudio Negrão .


🪸 Durante o encontro, foram debatidas as violações ao direito de consulta em processos de renovação e emissão de licenças para empreendimentos de energia renovável, e foi feito o lançamento do novo Relatório de Conflitos Socioambientais produzido pelo CPP. 📖🔥

🦀 Também estiveram presentes Ornela Fortes, coordenadora de Assistência Técnica e Extensão Pesqueira da Secretaria Nacional da Pesca Artesanal, além de representantes do SAR e da Comissão de Justiça e Paz (CJP) - Macau.


💬 Um encontro de força, fé e resistência dos povos tradicionais na defesa do território, da vida e da consulta de verdade!

https://www.instagram.com/p/DPwelO_EQLd/?igsh=anhmY3p3dTh5NHJy 

#PovosDasÁguas #ConsultaPrévia #DireitosTerritoriais #PovosTradicionais #JustiçaSocioambiental #Nordeste2

sexta-feira, 18 de julho de 2025

COMISSÃO DE PCTs DO CONSEA - PE, PARTICPAM DE MOMENTO COM A ARTICULAÇÃO DOS PESCADORES DO LITORALL SUL DO PERNAMBUO


 As comunidades tradicionais pesqueiras de Pernambuco têm enfrentado diversos desafios relacionados à segurança alimentar e à participação nos processos de decisão. Entre as principais questões apontadas estão a falta de conhecimento sobre as políticas municipais de atenção à segurança alimentar e nutricional, a ausência de conselhos municipais e a dificuldade de diálogo efetivo com a gestão municipal, e baixa participação das comunidades tradicionais nos conselhos existentes.

Além disso, há uma percepção de que a governadora Raquel Lira ainda não realizou escuta ativa com as comunidades pesqueiras, o que dificulta o fortalecimento do diálogo e a implementação de ações que atendam às suas necessidades. As comunidades também enfrentam obstáculos no acesso a programas de aquisição de alimentos, como o PAA e o PNAE, que poderiam contribuir para a segurança alimentar local.



Outro ponto importante é a demora na liberação de recursos aprovados pelo Ministério da Pesca e Aquicultura, cujo empenho ainda não foi realizado, prejudicando o andamento de projetos essenciais para essas comunidades. Ainda, as comunidades destacam os impactos do período de inverno na sua segurança alimentar e a necessidade de maior abertura por parte da gestão estadual para escutar suas demandas.

Reforçamos a importância de fortalecer o diálogo, a escuta ativa e a participação dessas comunidades nos espaços de decisão, promovendo uma gestão mais inclusiva, democrática e sensível às suas realidades. Nosso compromisso é continuar articulando ações que garantam seus direitos e promovam o desenvolvimento sustentável dessas comunidades.

Fotos: Moacir Correia e Texto: Severino Santos