quarta-feira, 28 de abril de 2021

COMUNICADO DO CPP REGIONAL NORDESTE 02

 



 Dá-nos, Senhor, aquela PAZ inquieta, Que não nos deixa em PAZ! ... A PAZ do pão da fome de justiça, A PAZ da liberdade conquistada, A PAZ que se faz “nossa” Sem cercas nem fronteiras, Que é tanto “Shalom” como “Salam”, Perdão, retorno, abraço…

 D. Pedro Casaldáliga.

 

O Conselho Pastoral dos Pescadores – Regional Nordeste 02/CPPNE02, organização social ligada Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora, com atuação nos estados de: Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, estados esses, que compõem o Regional Nordeste 02 da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil/CNBB. Reafirma seu compromisso com a causa dos pescadores e pescadoras artesanais. E por deliberação unanime entre os participantes da Assembleia Regional realizada na manhã desta terça-feira  dia 27 de abril de 2021, elegeu nova coordenação regional, composta pelo Secretariado Executivo, Conselho Deliberativo e Bispo de Referencia, para o triênio de 2021 a 2024, conforme composição descrita abaixo.

1.      CONSELHO DELIBERATIVO DO CPP REGIONAL NORDESTE 02:

 

ð  Laurineide Maria Vieira de Carvalho Santana

ð  Pedro João de Souza

ð  Luiz Ribeiro da Silva

ð  Maria Daguia Alves Neta

ð  Rita de Cassia da Silva Costa

ð  Suana Medeiros da Silva

ð  Cristiano Wellington Noberto Ramalho

ð  Francisco Adilson da Silva

ð  Marcos Aurélio Campinas Bezerra

 

2.      BISPO DE REFERENCIA DO CPP REGIONAL NORDESTE 02

 

ð  Dom José Luiz Ferreira Sales C.Ss.R.

Bispo da Diocese de Pesqueira – Pernambuco.

 

3.      SECRETARIADO EXECUTIVO DO CPP REGIONAL NORDESTE 02

 

ð  Secretario: Severino Antônio dos Santos

ð  Ecônoma: Albaniza da Silva Guimarães.

 

Olinda, 27 de abril de 2021.





quinta-feira, 19 de novembro de 2020

IDENTIDADE, CULTURA E LUTA DOS HOMENS E MULHERES DAS ÁGUAS - 22 DE NOVEMBRO - DIA NACIONAL DE LUTA DA PESCA ARTESANAL – DIA ESTADUAL DE LUTA DOS PESCADORES E PESCADORAS ARTESANAIS DE PERNAMBUCO.

Os mares, rios e estuários sempre foram companheiros dos pescadores e das pescadoras artesanais nas suas lutas por liberdade, por autonomia, por dignidade. 

Durante o período escravocrata, que perdurou no Brasil até 1888 e deixou suas sequelas ainda em nossos dias,   os laços de reciprocidade e o grau de articulação existentes entre os homens e as mulheres das águas de várias comunidades, municípios, estados foram capazes de possibilitar e ajudar, consideravelmente,  na fuga dos seus irmãos e irmãs de cor em busca de dias melhores.

Assim, quando uma pessoa negra fugida - da  terrível condição escrava - chegava ou era trazida ao barco de um pescador para trilhar seu projeto de autonomia, isso era o mesmo que atingir-se o terreno da solidariedade e das águas esperançosas de uma possível emancipação, da resistência e da negação do não reconhecimento de serem vistos como seres humanos, indivíduos de direitos.

Muitas lutas (conhecidas ou não) existiram para libertar o povo negro e, consequentemente, as comunidades pesqueiras  da condição escrava. E é aí que se destaca a história  do jangadeiro Francisco José do Nascimento (nascido em 1839 e falecido em 1914), conhecido como Dragão do Mar, que lutou pelo fim da escravidão no Ceará, negando-se a levar escravos e escravas, que seriam vendidos na capital do país (Rio de Janeiro), para os navios negreiros. Sua luta foi importante para fazer com que o Ceará fosse o primeiro estado brasileiro a decretar o fim da escravidão em 1884.   

E essa luta – não só do Dragão do Mar, mas de outros homens e de mulheres negras – pela autonomia e dignidade fizeram dos territórios, da natureza, das águas parceiras de vida, lugares de sonhos, de realizações e de experiências de resistências cotidianas efetivadas pelas comunidades pesqueiras. 

Foi esse povo negro, o povo pesqueiro que se transformou, ao longo dos séculos, em guardião da preservação dos mangues, rios, mares, estuários, cuja simbiose fez florescer um conjunto inestimável de práticas econômicas, sociais e culturais que é, hoje, um patrimônio material e imaterial. Então, dessa interação pescador e pescadora com a natureza emergiu danças, cantos, culinária, segurança e soberania alimentar, trabalho, renda, desejos de mundo, seres encantados e pessoas encantadas, artes de pesca, modos de vida, linguagens, sociabilidades.

Dos territórios pesqueiros, portanto, brotaram vidas, biodiversidades, coexistências, que, na atualidade, permitem que mais de 1 milhão de pessoas vivam diretamente da pesca artesanal, produzindo mais de 60% dos pescados que chegam à mesa das famílias brasileiras.

E é esse patrimônio socioambiental que as comunidades pesqueiras, suas entidades representativas (associações e colônias de pesca), movimentos sociais e grupos de apoio querem proteger, defender, exigir reconhecimento, por meio de políticas públicas, para que continuem a existir e a ofertar, para a sociedade brasileira, serviços ecológicos inestimáveis, bem como possibilidades de justiça social e de combate às desigualdades e ao racismo (dentre os quais o ambiental).

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Inscrito por: Prof. Dr. Cristiano W. N. Ramalho. Dep. de Sociologia - Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFPE. Membro do Núcleo de Estudos Humanidades, Mares e Rios/NUHUMAR. E Colaborador do Conselho Pastoral dos Pescadores - Regional Nordeste 02.

Fotos: Gicleia Silva - Presidente da Colônia Z 08 do Cabo - Retratando o Desembarque Pesqueiro na Prainha dos Pescadores, na praia do Xaréu no município Pernambucano do Cabo de Sto Agostinho.

domingo, 4 de outubro de 2020


 

MANIFESTO SÃO FRANCISCO VIVO

 Dia 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis e do Rio São Francisco. O santo trouxe para o mundo a percepção da ecologia, de que a casa comum que habitamos é também de outros viventes. De que ecologia é também justiça. O Rio imita o Santo: nasce no rico Sudeste do país e corre para o empobrecido Nordeste, levando vida em suas águas. O Rio é caminho transbordante de paz e bem, a imitar o Santo. É esperança permanentemente em movimento de prosperidade: revitalizar a natureza, integrar o povo e alimentar a existência. O Rio São Francisco é a base de uma teia de relações que garante a vida de muita gente – mais de 18 milhões em sua bacia: povo barranqueiro, beiradeiro, geraizeiro, caatingueiro... É também a salvaguarda de uma infinidade de seres, dependentes de suas águas vivas e generosas. Nutrição essencial de vivos – gente, bicho, peixe, planta... Eixo de uma multisecular história de lutas que acumula experiências ordinárias e extraordinárias de resistência, protagonizadas pelo povo do rio, constituído também de indígenas, quilombolas, brancos migrantes. Comunidades que defendem as condições fundamentais – e sagradas – de sua permanência no mundo: o seu Velho Chico. Rio Vivo é Povo Vivo. Rio Morto é Povo Morto. 

Os projetos de captura da natureza ao longo da Bacia, voltados exclusivamente para o lucro incessante, estão corroendo, quando não, destruindo a relação Rio – Povo. Ao longo dos anos, essas investidas vêm acumulando chagas incuráveis e abrindo novas feridas, num processo contínuo de degradação ecológica deste corpo vivo que é a Bacia. O crime da Vale em Brumadinho, que matou o afluente Paraopeba, a Transposição, os agronegócios, à frente o da irrigação, o setor energético, o industrial-minerário etc., querem a todo custo ter total controle das águas e das vidas do nosso sagrado Velho Chico. 

Nestes tempos dominados pela necropolítica, surgem novas ameaças que demandam urgente atenção e ação dos povos e defensores do Rio. Se deixarmos que aconteçam, não só comprometerão o nosso sonho de um Rio vivo para o bem de todos, como extinguirão as comunidades diretamente atingidas. Denunciamos três dessas novas ameaças: 

1) A Barragem de Formoso, projeto da empresa Quebec/Tracbel Suez, apoiado pelos governos estadual e federal, a se implantar a 12 km a montante de Pirapora-MG, inundaria 32 mil hectares, em seis municípios, afetando centenas de famílias ribeirinhas, pescadoras, vazanteiras. Qual seu real objetivo, se na região já têm a Usina de Três Marias e produção de grande quantidade de energia solar em imensas áreas? Por que esta aceleração das licenças ambientais do empreendimento danoso? 

2) A Usina Nuclear a ser implantada em Itacuruba- PE, às margens da Barragem de Itaparica, é um monstro que volta a assombrar o povo da região, que já muito sofreu com o deslocamento compulsório imposto pela barragem. Além da contaminação radiativa e aquecimento das águas do Rio usadas para resfriar os caldeiras, o risco dos desastres nucleares, de consequências incalculáveis. 

3) A Instrução Normativa no 67, de 3 de agosto de 2020, da Secretaria de Coordenação e Governança do Patrimônio da União e da Secretaria Especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados / Ministério da Economia, mais que regularizar, visa entregar os terrenos marginais de rios e lagos federais a empreendimentos privados.  É o caso do São Francisco, cujas margens e ilhas são habitadas e cultivadas e protegidas por milhares de famílias. Seria um desastre! 

O Velho Chico e seu Povo resistem, mas não aguentam mais! Já estão para além do limite do suportável as agressões – o que é experiência das comunidades ribeirinhas e consenso entre pesquisadores e ambientalistas. Agressões que precisam ser combatidas ainda mais fortemente pelo povo, organizações e entidades civis e poderes públicos sérios e fiéis às suas razões de ser. O Rio clama e nós somos a sua voz, que grita aos quatro cantos contra os que querem matá-lo e aos que temos que salvá-lo. Também para nos salvar!

 São Francisco Vivo - Terra e Água, Rio e Povo! 

Articulação Popular São Francisco Vivo.

 Bacia do Rio São Francisco, 04 de outubro de 2020.