sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Extensão Universitária com Pescadores e Pescadoras de Floresta


 A interação entre os discentes da Unidade Acadêmica de Serra Talhada(UAST/UFRPE), atrelada aos processos organizacionais das colônias de pescadores artesanais simboliza uma importante iniciativa de extensão universitária norteada ao fortalecimento da organização  social das comunidades pesqueiras do sertão de Itaparica.

Tal atividade tem como objetivo cooperar com os processos organizacionais das colônias, apoiando iniciativas de colaboração comunitária, planejamento, organização administrativa e participação coletiva. A ideia também busca construir senso crítico-social dos estudantes quanto à realidade da pesca artesanal,  oportunizando uma vivência prática da realidade das comunidades, colônias e associações e também, a troca de conhecimentos tradicionais cultivados  pelos povos das águas, como a prática do auto monitoramento pesqueiro.

Além de colaborar com o fortalecimento das organizações, essa ação reconhece a importância das colônias e associações na defesa dos direitos da categoria e na construção e articulação de estratégias para enfrentar a desigualdade ambiental, econômica, social e de gênero que afetam os povos da pesca artesanal.

Essa colaboração reforça o papel da extensão universitária como ferramenta de diálogo entre universidades e a sociedade. Os conhecimentos acadêmicos  e os saberes tradicionais reúnem-se favorecendo a construção coletiva que beneficia e enriquece a formação dos estudantes  e também o desenvolvimento das organizações comunitárias.  Outro ponto importante dessa articulação, é que  a aliança entre esses atores ampliam a formação coletiva, as redes de cooperação e auxiliam o desenvolvimento de ações conjuntas em defesa dos direitos e da autonomia, reforçando a importância do comprometimento das universidades com a realidade dos territórios e na valorização dos pescadores e pescadoras como protagonistas de seus processos organizativos  e deste modo, construir caminhos coletivos para a continuidade da atividade pesqueira e a sua garantia de direitos.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

PESCADORES PARTICIPAM DE SEMINÁRIO E PROCISSÃO FLUVIAL DURANTE O NOVENÁRIO DE SÃO FRANCISCO EM PETROLÂNDIA

 


“Pescadores celebram dia de São Francisco com Seminário e Procissão Fluvial durante novenário em Petrolândia – diocese de Floresta.”

Encontro reuniu pescadores, representantes de entidades e instituições para discutir desafios, direitos e perspectivas da pesca artesanal no Sertão de Pernambuco, participaram, no dia 26 de setembro, do Diálogo Interinstitucional sobre Novos Desafios, Direitos e Perspectivas para a Pesca Artesanal. A programação reuniu representantes de colônias e associações de pescadores, além de instituições de ensino, como a Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Campus Paulo Afonso.

O encontro foi marcado por momentos de formação, diálogo e troca de experiências sobre a realidade das comunidades pesqueiras e os desafios enfrentados no cotidiano. A programação teve início com uma acolhida aos participantes e, posteriormente, com a oficina de Educação Ambiental “Pesca Artesanal e Educação Ambiental: Saberes, Desafios e Cuidados com o Território”. A atividade promoveu reflexões sobre a relação entre os modos de vida das comunidades pesqueiras, a preservação ambiental e os cuidados com os territórios das águas.

Um dos destaques da programação foi a roda de diálogo conduzida pelo mestrando Edinilson, engenheiro de pesca e filho de pescadores artesanais do território. O momento possibilitou uma discussão sobre as transformações ocorridas nos últimos anos nas comunidades pesqueiras, além de abordar os conhecimentos tradicionais, os desafios enfrentados pelos pescadores e pescadoras e as mudanças nos territórios da pesca.

Durante o encontro, os participantes ressaltaram a importância da organização coletiva e comunitária, da participação social e do diálogo entre diferentes instituições como mecanismos para fortalecer a defesa dos direitos e a valorização da pesca artesanal. Também esteve em pauta a necessidade de proteção dos territórios pesqueiros e de preservação dos saberes e práticas tradicionais. Segundo os participantes, esses conhecimentos representam parte importante da identidade das comunidades e estão relacionados à sustentabilidade, à conservação ambiental e à permanência das famílias nos territórios das águas.



Participação no Novenário de São Francisco

Além das discussões sobre a pesca artesanal, a programação marcou a participação das comunidades pesqueiras no Novenário de São Francisco, realizado em Petrolândia e promovido pela paroquia local e a  Diocese de Floresta (PE).

A presença dos pescadores nas atividades religiosas reforçou a visibilidade das comunidades que têm sua história, cultura e modo de vida diretamente ligados ao Rio São Francisco. As celebrações em homenagem ao santo também incluíram a tradicional procissão fluvial, reunindo fiéis e comunidades às margens e nas águas do Rio São Francisco. O momento uniu fé, tradição e a identidade das populações que vivem e trabalham no território ribeirinho.

Para os participantes, a programação representou uma oportunidade de fortalecer os vínculos entre as comunidades pesqueiras, instituições e sociedade, além de ampliar o debate sobre a valorização da pesca artesanal e a defesa dos territórios das águas.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Territórios pesqueiros em pauta: MPF e DPU visitam comunidades tradicionais de Porto de Pedras

 

Foto site do MPF, - Reunião com os pescadores na manhã do dia 22/06
 na sede da Colonia Z 25 em Porto de Pedras/AL

Porto de Pedras (AL) – Representantes do Ministério Público Federal (MPF) e da Defensoria Pública da União (DPU) realizaram, nos dias 22 e 23 de junho, uma visita técnica às comunidades tradicionais pesqueiras de Porto de Pedras, no litoral norte de Alagoas. A ação faz parte do acompanhamento das demandas relacionadas às áreas de Termo de Autorização de Uso Sustentável (TAUS), instrumento que busca garantir o uso e a permanência de populações tradicionais em territórios da União.

A visita foi encaminhada a partir de uma audiência realizada em janeiro de 2026, na sede do MPF, em Maceió, quando representantes das comunidades apresentaram reivindicações ligadas à regularização e à proteção de áreas historicamente utilizadas por pescadores e pescadoras artesanais.

Durante os dois dias de atividades, foram promovidas reuniões comunitárias e visitas de campo aos territórios reivindicados. A agenda permitiu que integrantes do MPF e da DPU observassem de perto a realidade das comunidades e os desafios enfrentados pelas famílias pesqueiras para garantir o acesso aos seus territórios tradicionais e a continuidade da atividade pesqueira artesanal.

A atividade contou ainda com o acompanhamento do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), que vem atuando junto às comunidades na defesa dos direitos dos povos e comunidades tradicionais pesqueiras. A presença da entidade contribuiu para o diálogo entre as famílias, as lideranças locais e os órgãos públicos envolvidos no processo.

De acordo com lideranças locais, a presença das instituições federais representa um avanço no diálogo entre o poder público e as comunidades, contribuindo para o fortalecimento das discussões sobre o reconhecimento e a proteção dos territórios tradicionalmente ocupados.

Foto Site do MPF - Reunião com pescadores, representantes dos empresarios e
 gestão publica municipal - 23/06 na sede do municipio de Porto de Pedras

A expectativa é que as informações coletadas durante a visita subsidiem os encaminhamentos dos órgãos responsáveis e contribuam para a construção de soluções que assegurem os direitos das comunidades pesqueiras, respeitando seus modos de vida, sua cultura e sua relação histórica com o território.

A iniciativa integra o processo de acompanhamento das demandas apresentadas pelas comunidades tradicionais da região, que reivindicam maior segurança jurídica para a permanência e o uso sustentável das áreas utilizadas pela pesca artesanal

sexta-feira, 12 de junho de 2026

CPP ARTICULA APOIO PARA FAMILIAS PESQUEIRAS AFETADAS PELAS MUDANÇAS CLIMATICAS EM PERNAMBUCO

 


🌧️🌊 Diante dos impactos provocados pelas mudanças climáticas nas comunidades pesqueiras de Pernambuco, o CPP Regional Nordeste 2 está articulando, junto ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), ações emergenciais de apoio às famílias atingidas. A iniciativa busca viabilizar a distribuição de cestas básicas para as famílias de pescadores e pescadoras artesanais ao longo do litoral pernambucano.

🐟 As fortes chuvas e os eventos climáticos extremos têm provocado alterações nos estuários, mudanças na salinidade e na qualidade da água, além da mortalidade de crustáceos e moluscos. Esses impactos atingem diretamente a pesca artesanal e a mariscagem, comprometendo a renda e a segurança alimentar de milhares de famílias.

🐚 Para as marisqueiras, muitas delas chefes de família, a situação é ainda mais preocupante. A redução dos recursos pesqueiros afeta diretamente o sustento dos lares e amplia as vulnerabilidades sociais enfrentadas pelas comunidades tradicionais.

🛶 Além disso, ventos fortes e mudanças nas correntes marítimas dificultam a navegação e impedem a saída dos pescadores e pescadoras para o mar, agravando os efeitos econômicos e sociais das mudanças climáticas nos territórios pesqueiros.

✊🏿 O CPP segue acompanhando a situação e fortalecendo iniciativas que contribuam para a proteção da vida, da segurança alimentar e dos direitos dos povos das águas.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Luta e resistência - Território Tradicional dos Pescadores de Barra de Mamanguape é Titulado

 O reconhecimento do território tradicional da comunidade de pescadores e pescadoras de Barra de Mamanguape não é apenas um ato administrativo — é a materialização de uma luta histórica, construída com coragem, resistência e organização coletiva. Após um longo e por vezes doloroso processo de debates internos, articulações políticas e inúmeras reuniões com órgãos como o Ministério Público Federal (MPF), ICMBio, MPA e SPU, além do registro na Plataforma dos Povos e Comunidades Tradicionais, a comunidade alcança uma conquista que ecoa muito além de seus limites territoriais.

Esse processo foi fortalecido por um importante termo de cooperação entre MPA, INCRA e SPU, que possibilitou a inclusão dos territórios pesqueiros nos Projetos de Assentamento Agroextrativista (PAE), reconhecendo juridicamente uma realidade historicamente vivida pelas comunidades: o uso coletivo, tradicional e sustentável dos seus territórios. A partir desse marco, a comunidade recebeu do INCRA o registro da área, consolidando o reconhecimento do direito tradicional de uso e ocupação do território pesqueiro.

Essa conquista reafirma aquilo que a comunidade sempre soube e viveu na prática: que o território não é apenas espaço físico, mas é vida, cultura, ancestralidade e sustento.

Essa vitória carrega em si a memória daqueles e daquelas que tombaram na caminhada, que enfrentaram conflitos, invisibilidade e injustiças, mas que nunca deixaram de acreditar que o direito ao território é também o direito de existir com dignidade. Cada passo dado hoje é também fruto do legado desses lutadores e lutadoras, cuja força segue viva na resistência coletiva.

Que essa conquista seja farol e inspiração para outras comunidades tradicionais que seguem na luta pela revitalização, reconhecimento e defesa de seus territórios. O caminho não é fácil, mas a experiência de Barra de Mamanguape mostra que a organização popular, a persistência e a união são capazes de romper barreiras e transformar realidades.

Seguimos firmes, com os pés no território e o coração na luta, porque nenhum direito foi dado — todos foram conquistados.