sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Diocese de Palmares inicia articulação para criação da Pastoral dos Pescadores e Pescadoras

 


Reunião com o bispo diocesano, Dom Fernando Barbosa dos Santos, reúne representantes de colônias, organizações de pescadores e pastorais sociais para fortalecer a presença da Igreja junto aos povos das águas.

No dia 28 de outubro de 2026, a Diocese de Palmares, em Pernambuco, recebeu representantes da Pastoral dos Pescadores e Pescadoras, de diversas colônias e organizações pesqueiras, além de agentes de pastorais sociais, para uma reunião com o bispo diocesano, Dom Fernando Barbosa dos Santos. O encontro teve como principal objetivo iniciar um processo de mobilização e articulação para a criação da Pastoral dos Pescadores e Pescadoras Diocesana.

A reunião foi marcada pela partilha de experiências, pelo resgate da caminhada de organização das comunidades pesqueiras e pelo reconhecimento da importância da presença da Igreja na defesa dos direitos dos pescadores e pescadoras artesanais.

Durante o encontro, Bill, representante do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP) no Regional Nordeste 2, apresentou um histórico da atuação da instituição na Diocese de Palmares e em outras dioceses da região, destacando sua contribuição nos processos de organização, formação e fortalecimento das comunidades pesqueiras. Também chamou atenção para os desafios do acompanhamento pastoral diante da extensa área de atuação e da atual estrutura reduzida da equipe regional.

Os representantes das colônias compartilharam experiências de luta e organização, ressaltando a contribuição do CPP e de agentes da Igreja em processos importantes para a autonomia das entidades, a retomada das organizações pelos próprios pescadores e pescadoras e a defesa de seus direitos. Também foram lembradas as lutas territoriais das comunidades de Sirinhaém, especialmente pela permanência dos pescadores e pescadoras nas ilhas, processo que contou também com o apoio da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Em sua fala, Dom Fernando destacou que a realidade dos povos originários e das comunidades tradicionais precisa ser assumida como parte da agenda pastoral da Diocese. Ressaltou ainda que a Igreja deve contribuir para fortalecer as organizações populares, suas articulações e a construção de redes de formação e resistência.

O bispo manifestou apoio à criação da Pastoral dos Pescadores e Pescadoras Diocesana e apontou três pilares fundamentais para sua construção: espiritualidade, formação e articulação. Também destacou dois grandes desafios: garantir a integração da pastoral à organização diocesana e construir condições econômicas que possibilitem sua sustentabilidade.

Construindo os primeiros passos

Como encaminhamento concreto, foi proposta a criação de uma equipe diocesana de animação, responsável por mobilizar as paróquias, articular as organizações de pescadores e pescadoras e conduzir os primeiros passos do processo de formação da pastoral.

Durante a reunião, foi indicado, para consulta e possível convite, o nome do Pe. Expedito, da Paróquia São Francisco de Assis, em Barra de Sirinhaém, para contribuir com a animação e o acompanhamento eclesial dessa iniciativa. A equipe regional do CPP, juntamente com a Coordenação Pastoral Paroquial, ficará responsável por realizar a consulta e o convite formal.

Também foi reafirmado que as colônias e organizações de pescadores e pescadoras terão papel fundamental nesse processo, garantindo que a futura pastoral seja construída a partir da realidade, das experiências e do protagonismo das próprias comunidades. A articulação deverá manter diálogo permanente com a Coordenação Diocesana de Pastoral e o bispo diocesano.

Uma Igreja que caminha junto aos povos das águas

A iniciativa representa um passo importante para fortalecer a presença da Igreja junto aos pescadores e pescadoras artesanais, reconhecendo suas histórias, culturas, espiritualidades, formas de organização e lutas pela garantia de direitos e pela defesa dos territórios tradicionais.

Mais do que criar uma nova estrutura pastoral, o desafio é construir uma Igreja que esteja próxima das comunidades, que escute suas necessidades, fortaleça suas organizações e caminhe ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras da pesca na defesa da vida e da justiça social.

Inspirada no compromisso evangélico com os mais pobres e na missão social da Igreja, a construção da Pastoral dos Pescadores e Pescadoras Diocesana pretende ser um espaço de comunhão, participação e fortalecimento dos povos das águas.

Espiritualidade, formação e articulação: os pilares para construir uma pastoral comprometida com a vida, os direitos e a dignidade dos pescadores e pescadoras artesanais.

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Extensão Universitária com Pescadores e Pescadoras de Floresta


 A interação entre os discentes da Unidade Acadêmica de Serra Talhada(UAST/UFRPE), atrelada aos processos organizacionais das colônias de pescadores artesanais simboliza uma importante iniciativa de extensão universitária norteada ao fortalecimento da organização  social das comunidades pesqueiras do sertão de Itaparica.

Tal atividade tem como objetivo cooperar com os processos organizacionais das colônias, apoiando iniciativas de colaboração comunitária, planejamento, organização administrativa e participação coletiva. A ideia também busca construir senso crítico-social dos estudantes quanto à realidade da pesca artesanal,  oportunizando uma vivência prática da realidade das comunidades, colônias e associações e também, a troca de conhecimentos tradicionais cultivados  pelos povos das águas, como a prática do auto monitoramento pesqueiro.

Além de colaborar com o fortalecimento das organizações, essa ação reconhece a importância das colônias e associações na defesa dos direitos da categoria e na construção e articulação de estratégias para enfrentar a desigualdade ambiental, econômica, social e de gênero que afetam os povos da pesca artesanal.

Essa colaboração reforça o papel da extensão universitária como ferramenta de diálogo entre universidades e a sociedade. Os conhecimentos acadêmicos  e os saberes tradicionais reúnem-se favorecendo a construção coletiva que beneficia e enriquece a formação dos estudantes  e também o desenvolvimento das organizações comunitárias.  Outro ponto importante dessa articulação, é que  a aliança entre esses atores ampliam a formação coletiva, as redes de cooperação e auxiliam o desenvolvimento de ações conjuntas em defesa dos direitos e da autonomia, reforçando a importância do comprometimento das universidades com a realidade dos territórios e na valorização dos pescadores e pescadoras como protagonistas de seus processos organizativos  e deste modo, construir caminhos coletivos para a continuidade da atividade pesqueira e a sua garantia de direitos.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

PESCADORES PARTICIPAM DE SEMINÁRIO E PROCISSÃO FLUVIAL DURANTE O NOVENÁRIO DE SÃO FRANCISCO EM PETROLÂNDIA

 


“Pescadores celebram dia de São Francisco com Seminário e Procissão Fluvial durante novenário em Petrolândia – diocese de Floresta.”

Encontro reuniu pescadores, representantes de entidades e instituições para discutir desafios, direitos e perspectivas da pesca artesanal no Sertão de Pernambuco, participaram, no dia 26 de setembro, do Diálogo Interinstitucional sobre Novos Desafios, Direitos e Perspectivas para a Pesca Artesanal. A programação reuniu representantes de colônias e associações de pescadores, além de instituições de ensino, como a Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Campus Paulo Afonso.

O encontro foi marcado por momentos de formação, diálogo e troca de experiências sobre a realidade das comunidades pesqueiras e os desafios enfrentados no cotidiano. A programação teve início com uma acolhida aos participantes e, posteriormente, com a oficina de Educação Ambiental “Pesca Artesanal e Educação Ambiental: Saberes, Desafios e Cuidados com o Território”. A atividade promoveu reflexões sobre a relação entre os modos de vida das comunidades pesqueiras, a preservação ambiental e os cuidados com os territórios das águas.

Um dos destaques da programação foi a roda de diálogo conduzida pelo mestrando Edinilson, engenheiro de pesca e filho de pescadores artesanais do território. O momento possibilitou uma discussão sobre as transformações ocorridas nos últimos anos nas comunidades pesqueiras, além de abordar os conhecimentos tradicionais, os desafios enfrentados pelos pescadores e pescadoras e as mudanças nos territórios da pesca.

Durante o encontro, os participantes ressaltaram a importância da organização coletiva e comunitária, da participação social e do diálogo entre diferentes instituições como mecanismos para fortalecer a defesa dos direitos e a valorização da pesca artesanal. Também esteve em pauta a necessidade de proteção dos territórios pesqueiros e de preservação dos saberes e práticas tradicionais. Segundo os participantes, esses conhecimentos representam parte importante da identidade das comunidades e estão relacionados à sustentabilidade, à conservação ambiental e à permanência das famílias nos territórios das águas.



Participação no Novenário de São Francisco

Além das discussões sobre a pesca artesanal, a programação marcou a participação das comunidades pesqueiras no Novenário de São Francisco, realizado em Petrolândia e promovido pela paroquia local e a  Diocese de Floresta (PE).

A presença dos pescadores nas atividades religiosas reforçou a visibilidade das comunidades que têm sua história, cultura e modo de vida diretamente ligados ao Rio São Francisco. As celebrações em homenagem ao santo também incluíram a tradicional procissão fluvial, reunindo fiéis e comunidades às margens e nas águas do Rio São Francisco. O momento uniu fé, tradição e a identidade das populações que vivem e trabalham no território ribeirinho.

Para os participantes, a programação representou uma oportunidade de fortalecer os vínculos entre as comunidades pesqueiras, instituições e sociedade, além de ampliar o debate sobre a valorização da pesca artesanal e a defesa dos territórios das águas.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Territórios pesqueiros em pauta: MPF e DPU visitam comunidades tradicionais de Porto de Pedras

 

Foto site do MPF, - Reunião com os pescadores na manhã do dia 22/06
 na sede da Colonia Z 25 em Porto de Pedras/AL

Porto de Pedras (AL) – Representantes do Ministério Público Federal (MPF) e da Defensoria Pública da União (DPU) realizaram, nos dias 22 e 23 de junho, uma visita técnica às comunidades tradicionais pesqueiras de Porto de Pedras, no litoral norte de Alagoas. A ação faz parte do acompanhamento das demandas relacionadas às áreas de Termo de Autorização de Uso Sustentável (TAUS), instrumento que busca garantir o uso e a permanência de populações tradicionais em territórios da União.

A visita foi encaminhada a partir de uma audiência realizada em janeiro de 2026, na sede do MPF, em Maceió, quando representantes das comunidades apresentaram reivindicações ligadas à regularização e à proteção de áreas historicamente utilizadas por pescadores e pescadoras artesanais.

Durante os dois dias de atividades, foram promovidas reuniões comunitárias e visitas de campo aos territórios reivindicados. A agenda permitiu que integrantes do MPF e da DPU observassem de perto a realidade das comunidades e os desafios enfrentados pelas famílias pesqueiras para garantir o acesso aos seus territórios tradicionais e a continuidade da atividade pesqueira artesanal.

A atividade contou ainda com o acompanhamento do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), que vem atuando junto às comunidades na defesa dos direitos dos povos e comunidades tradicionais pesqueiras. A presença da entidade contribuiu para o diálogo entre as famílias, as lideranças locais e os órgãos públicos envolvidos no processo.

De acordo com lideranças locais, a presença das instituições federais representa um avanço no diálogo entre o poder público e as comunidades, contribuindo para o fortalecimento das discussões sobre o reconhecimento e a proteção dos territórios tradicionalmente ocupados.

Foto Site do MPF - Reunião com pescadores, representantes dos empresarios e
 gestão publica municipal - 23/06 na sede do municipio de Porto de Pedras

A expectativa é que as informações coletadas durante a visita subsidiem os encaminhamentos dos órgãos responsáveis e contribuam para a construção de soluções que assegurem os direitos das comunidades pesqueiras, respeitando seus modos de vida, sua cultura e sua relação histórica com o território.

A iniciativa integra o processo de acompanhamento das demandas apresentadas pelas comunidades tradicionais da região, que reivindicam maior segurança jurídica para a permanência e o uso sustentável das áreas utilizadas pela pesca artesanal

sexta-feira, 12 de junho de 2026

CPP ARTICULA APOIO PARA FAMILIAS PESQUEIRAS AFETADAS PELAS MUDANÇAS CLIMATICAS EM PERNAMBUCO

 


🌧️🌊 Diante dos impactos provocados pelas mudanças climáticas nas comunidades pesqueiras de Pernambuco, o CPP Regional Nordeste 2 está articulando, junto ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), ações emergenciais de apoio às famílias atingidas. A iniciativa busca viabilizar a distribuição de cestas básicas para as famílias de pescadores e pescadoras artesanais ao longo do litoral pernambucano.

🐟 As fortes chuvas e os eventos climáticos extremos têm provocado alterações nos estuários, mudanças na salinidade e na qualidade da água, além da mortalidade de crustáceos e moluscos. Esses impactos atingem diretamente a pesca artesanal e a mariscagem, comprometendo a renda e a segurança alimentar de milhares de famílias.

🐚 Para as marisqueiras, muitas delas chefes de família, a situação é ainda mais preocupante. A redução dos recursos pesqueiros afeta diretamente o sustento dos lares e amplia as vulnerabilidades sociais enfrentadas pelas comunidades tradicionais.

🛶 Além disso, ventos fortes e mudanças nas correntes marítimas dificultam a navegação e impedem a saída dos pescadores e pescadoras para o mar, agravando os efeitos econômicos e sociais das mudanças climáticas nos territórios pesqueiros.

✊🏿 O CPP segue acompanhando a situação e fortalecendo iniciativas que contribuam para a proteção da vida, da segurança alimentar e dos direitos dos povos das águas.