quarta-feira, 11 de junho de 2014

Pescadoras artesanais recebem formação sobre saúde da mulher e do trabalhador (a) em curso para agentes multiplicadoras


Encontro de Mulheres - Olinda/2014.
A pescadora Josana Pinto veio da cidade de Óbidos, no Pará, para se juntar a outras 45 mulheres de comunidades pesqueiras de 12 estados do Brasil no Encontro da Articulação Nacional de Pescadoras (ANP), que acontece desde ontem, 09, no Centro de Formação Recanto do Pescador, em Olinda/PE. Com apoio do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o momento busca formar agentes multiplicadoras em participação na gestão do SUS e na saúde do trabalhador e da trabalhadora. “Acredito que todas nós vamos sair empoderadas para, em nossos estados, contribuir melhor para a saúde das trabalhadoras da pesca”, comenta Josana, que ficará até o último dia do Encontro, na sexta-feira, 13.

Lia de A-Ver-o-Mar, pescadora Artesanal
A formação aborda diversas instâncias sobre o SUS e a saúde ocupacional, especialmente no que tange as políticas públicas específicas para as mulheres e para o trabalho das pescadoras e das marisqueiras. Para contribuir com o processo, a ANP conta com a participação de profissionais da área, como a assistente social sanitarista e responsável pela política de saúde da população negra do Recife, Sony Maria. A assistente social vem abordando a questão da prevenção, atenção e direitos dentro da lógica e dos princípios do SUS, colocando em evidência, inclusive, as questões do preconceito racial. “As mulheres negras passam por situações mais dolorosas, o tratamento dado a elas é bastante precário, e isso vai contra os princípios do SUS, é preciso denunciar isso”, Sony. 

Os próximos dias de formação trarão para os debates e conhecimento a saúde do trabalhador e da trabalhadora dentro do contexto dos povos do campo, das florestas e das águas. O grupo ainda aprofundará a temática no que tange o trabalho da pesca artesanal e da mariscagem, 
Ana Angélica - Quilombola de Povoação de San Lourenço
abordando os riscos para doenças e acidentes nessas atividades. Relacionado a esse debate, as pescadoras tomarão conhecimento sobre os direitos previdenciários referentes às doenças de trabalho e os processos de prevenção, tratamento e reabilitação dessas enfermidades. 

Emponderar as pecadoras nesse processo significa fortalecer a luta por vida digna nas comunidades pesqueiras. As mulheres do encontro poderão levar para suas realidades informações sobre como lidar com as questões de saúde e garantir seus direitos nesse âmbito. Vinda de Salinas da Margarida, na Bahia, a pescadora Elionice Sacramento enxerga o momento com força e otimismo. “Essa formação é muito importante para nós, mulheres pescadoras. Está sendo um momento de trabalho muito rico, produtivo e emocionante”, comenta.


Articulação Nacional de Pescadoras no Brasil (ANP)

A ANP surgiu em 2006, na demanda que existia das mulheres da pesca artesanal se afirmarem como agentes protagonistas na busca por seus direitos. A articulação reúne 12 estados de todo Brasil e tem como principais pautas a saúde da mulher na atividade pesqueira, o combate à violência de gênero, a defesa do território pesqueiro e o fortalecimento da identidade das pescadoras artesanais. 

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Arméle Dornelas
Assessora de comunicação 
Conselho Pastoral dos Pescadores - Nacional 
www.cppnac.org.br

 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

ENCONTRO DO CPP E DA CPT FLORESTA


“...Na celebração da vida, com o traça de novos caminhos e na construção de novas frentes em defesa da vida”....

Mandacaru e Umbuzeiro - Símbolos do Sertão.
             Com o proposito de avaliamos as ações desenvolvidas em 2013 e planejamos nossa caminhada para o ano de 2014, junto às comunidades de pescadores e pescadoras artesanais, dos agricultores e agricultoras familiares da Diocese de Floresta, nos reunimos nos dias 25 e 26 de abril.
Participaram do encontro, pescadores artesanais, agricultores familiares das comunidades atendidas pelo projeto CPP/CPT Floresta, além de representantes do Povo Indígena Pipipã – da Aldeia Pedra Tinideira (Floresta).
Índios Pipipã - aldeia Pedra Tinideira - Floreta
Na ocasião refletimos a conjuntura socioeconômica e ambiental na região, que vem sofrendo com a escassez das chuvas e o baixo nível dos reservatórios da região, o que tem dificultado as pescarias e prejudicada consideravelmente a atividade agrícola e da pequena pecuária da região.
Momento com as Mulheres Pescadoras.
Acolhemos com atenção e carinho o clamor, dos povos tradicionais da região: Pescadores, agricultores familiares, Quilombolas e indígenas, que lutam contra a implantação dos grandes projetos e a destruição de sua cultura. Que mas uma vez denunciam a falta de politicas públicas que assegurem a manutenção dos territórios que cada vez, mas estão ameaças, seja pela implantação de projetos energéticos com a implantação de novas Barragem/Hidroelétrica, Usina Nuclear, espação dos parques Aquícolas com o desenvolvimento do tilapicultivo na barragem de Itaparica, e as obras da Transposição das águas do rio São Francisco e Transnordestina.
Vemos que as forças vivas nas comunidades continuam na luta com o pode opressor, as técnicas de convivência com o seminário e forma tradicional do saber fazer e viver, são as chaves da vida desse povo.
Pescadores/as, Agricultores Presente no encontro.
A luta pelo território e a manutenção dos diretos adquiridos foram apresentados como as principais bandeiras de lutas para o ano de 2014. Nesse sentido o Conselho Pastoral dos Pescadores e a Comissão Pastoral a Terra da Diocese de Floresta, estão comprometidas com o acompanhamento e vivencia das lutas das comunidades tradicionais da região.

 

 

terça-feira, 22 de abril de 2014

Grupo de jornalistas alemães conhece a realidade do Litoral Sul de Pernambuco

Na manhã da última quinta-feira, 10 de abril, jornalistas ligados a Adveniat, organização Católica da Alemanha, conheceram a praia do Paiva e a região de Suape, ambas no Litoral Sul de Pernambuco. A visita foi facilitada por representantes do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP) e pescadoras/es artesanais das localidades que puderam mostrar de perto os conflitos que as comunidades pesqueiras enfrentam devido ao modelo de desenvolvimento adotado pelo Estado.
O primeiro destino foi a praia do Paiva, onde, longo na entrada, o grupo deparou-se com a necessidade do pagamento de uma taxa para ingressar no local, privatizado pelo grupo Brennand e pela Odebrecht Realizações Imobiliárias. Enquanto isso, na beira-mar, pescadores aguardavam a equipe para uma entrevista. Depois de esperarem por mais uma autorização para entrarem na praia, os jornalistas enfim encontraram os trabalhadores.
As comunidades pesqueiras, que há mais de 70 anos usam o local para o trabalho, hoje encontram
cada vez mais dificuldades para acessar esse litoral e garantir o sustento de suas famílias. O pescador Raimundo explicou que o grupo Brennand e a Odebrecht só permitem o uso de uma parte específica da praia para a pesca.
A conversa no Paiva, rodeada de um lado por cercas e da outra pelas vistas de uma pequena escultura de Iemanjá, teve que ser rápida, pois logo um funcionário ligado ao grupo Brennand veio intervir e exigir a saída do grupo. Seguiram então para a próxima parada: Suape.
A região vem sendo impactada pelo Complexo Portuário de Suape, polo de indústrias incentivado pelo governo do estado e federal que já trouxe diversos malefícios ao dia a dia de comunidades tradicionais pesqueiras do local. O conglomerado, de forma desordenada e sem respeitar o meio ambiente e os direitos de populações locais, avança na região alterando não só a paisagem, mas o modo de vida e toda a cultura milenar desses grupos. O pescado está diminuindo, 200 hectares de manguezais já foram suprimidos e a projeção é que esses impactos aumentem.
O presidente da Colônia Z 8 do Cabo de Santo Agostinho, Laílson Evangelista, conduziu o grupo em um visita de barco pelo entorno. Aqui, quem vigiava o grupo eram os grandes navios dos Estaleiros, as fumaças vindas dos Hotéis e o pouco que resta dos manguezais.
Para a secretaria executiva do CPP, Maria José Pacheco, a vinda dos jornalistas alemães foi relevante para que os conflitos que envolvem as comunidades tradicionais pesqueiras de Pernambuco sejam conhecidos fora do país. Essa visibilidade denuncia e chama a atenção de outros atores para a causa das comunidades pesqueiras do Brasil.
“A visita foi muito importante, pois significou uma oportunidade de visibilizar as situações de violações dos direitos dos pescadores/as. Foi fundamental conseguir mostrar para fora do país que esta visão de que o Brasil está em pleno desenvolvimento, 6ª economia do mundo, é à custa do sacrifício de comunidades inteiras e do meio ambiente em que vivem, da tentativa do extermínio cultural, da negação e do esforço em invisibiliza-las para, assim, retirar o território tão precioso para a existência destas comunidades. Essas populações são valiosas para a sociedade brasileira e para a humanidade como um todo, pois são responsáveis por manter relações de convivência com os recursos naturais, protegendo um patrimônio ambiental mundial e garantindo a soberania alimentar”, comenta Maria José.

 Fotos: Armele Dornelas.