sábado, 6 de maio de 2017

Pescadores e órgãos ambientais se unem contra extinção na Costa dos Corais

Sumaia Villela – Correspondente da Agência Brasil
Agencia Brasil. 06.05.2017http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2017-05/pescadores-e-orgaos-ambientais-se-unem-contra-extincao-na-costa-dos-corais
 
 
A necessidade de impedir a extinção de mais de 70 espécies presentes na Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais e de garantir a renda de pescadores artesanais dos 12 municípios que abrangem o bioma está unindo órgãos ambientais, pesquisadores e organizações dos profissionais da pesca de Pernambuco e Alagoas. O objetivo é desenvolver planos de recuperação que permitam, pelo menos em parte, criar maneiras para que o futuro dos animais seja assegurado sem que o consumo seja completamente proibido.
 
A APA Costa dos Corais é a maior unidade de conservação federal marinha do Brasil, com cerca de 120 km de praia e mangues entre Alagoas e Pernambuco. A área é gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação Ambiental (ICMBio) que recebe auxílio de um conselho gestor formado por outros órgãos e também pela sociedade civil.
 
No ano passado, o colegiado criou uma Câmara Temática da Pesca para discutir o tema e, nesta semana, uma reunião foi realizada em Tamandaré, município do litoral sul pernambucano, para tratar da criação dos planos de recuperação com lideranças de pescadores.
 
Uma portaria do governo federal elencou as espécies ameaçadas de extinção em diferentes graus. Há algumas que podem ser capturadas depois que o documento com o plano de recuperação estiver pronto. Há outras, entretanto, em que a pesca é proibida.
 
De acordo com o coordenador da Câmara Temática e educador social do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), Bill Santos, das 72 espécies já identificadas nas portarias e existentes na Costa dos Corais, 15 são especialmente importantes para a atividade econômica da região.
 
Ainda segundo Santos, o total de pessoas que vive da pesca nos 12 municípios da Costa dos Corais é grande, embora o número seja difícil de calcular. Além dos pescadores registrados nas colônias, ou seja, que têm registro formal para a prática da pesca, há aqueles que fazem a chamada pesca desembarcada, ou seja, sem barco.
 
“Só em São José da Coroa Grande são mais de 1100 pescadores. Mas a pesquisadora Beatrice Padovanne, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), identificou em campo, por dia, em um só local, 70 a 80 pessoas mergulhando para pescar budião. São jovens que coletam de 3 a 5 quilos do peixe por dia e tiram uma renda de cerca de R$ 40”, explicou o coordenador da PPC.
 
O budião foi um dos peixes que tiveram a autorização de pesca prolongada pela portaria 161/2017 do Ministério do Meio Ambiente, até o fim de abril de 2018. Até lá, será preciso criar o plano de recuperação ou a proibição será completa. Outro peixe bastante consumido na região, o sirigado, também é alvo de preocupação dos pescadores, já que ele é considerado a “caixinha de semana santa” dos profissionais, por ser mais capturado e consumido nos meses anteriores ao feriado.
 
A proibição dos órgãos ambientais à pesca irregular já causou prejuízo econômico na região. Em março, por exemplo, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou uma peixaria em São José da Coroa Grande (PE) por comercializar sirigado. Foram R$ 160 mil em multa. Outras espécies ameaçadas que afetam a economia local são a caranha, os cações, as raias e até mesmo o guaiamum, caranguejo de cor azulada que é um dos símbolos da culinária pernambucana e alagoana.
 
A APA Costa dos Corais não tem plano de recuperação de espécies até agora. O ICMBio ficará responsável pelo trabalho.
 
O analista ambiental do instituto Eduardo Machado de Almeida diz que o trabalho será um desafio, mas que a intenção é fazer no menor tempo possível.
 
“É um desafio, porque o plano de recuperação depende de uma série de fatores, alguns, talvez, não estejam na governança da APA Costa dos Corais, mas é possível sim [manter a pesca e fazer a proteção]. Não existe uma receita de bolo, mas é preciso identificar quais são as principais ameaças e quais são as medidas cabíveis que podem dar efeito. Cada pescaria pode ter uma medida diferente. Para algumas espécies talvez seja adequado que a gente estabeleça um tamanho mínimo de captura. Para outras, períodos de defeso”, explica.
 
Assim como as medidas a serem adotadas, as causas que levaram à ameaça de extinção também são múltiplas, segundo o analista ambiental. “Nos últimos anos teve um aumento grande dos esforços de pesca, e alguns estoques não conseguem acompanhar essa pressão por parte da pescaria. Por outro lado temos questões relativas à degradação ambiental, como a do guaiamum, pela especulação imobiliária e ocupação irregular de áreas de mangue, que tem prejudicado o habitat do guaiamum”. 
 
Portarias
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) regula a lista de espécies ameaçadas de extinção em três níveis e estabelece a proibição da captura. A Portaria 445/2014 reconhece 475 tipos de peixes e invertebrados aquáticos em risco, e estabelece que a captura, o transporte, o armazenamento, a guarda e o manejo só pode ser realizada para fim de pesquisa e conservação. Aquelas classificadas como vulnerável, o grau mais leve, podem ter uso sustentável, desde que regulamentado, ou seja, com a construção dos planos de recuperação. A Portaria 395/2016 prorrogou o prazo determinado no primeiro documento para março de 2017, e a 161/2017 prolongou o período até abril de 2018.
Edição: Lílian Beraldo

terça-feira, 2 de maio de 2017

APA COSTA DOS CORAIS INICIA DEBATE SOBRE A PORTARIA 445/2014 SOBRE AS ESPECIEIS AQUÁTICAS EM RISCO DE EXTINÇÃO.

Câmara Temática da Pesca se reúne nesta sexta (5) para discutir plano de recuperação de espécies ameaçadas de extinção em PE e AL.

Câmara Temática da Pesca se reúne nesta sexta-feira (5) para discutir plano de recuperação de espécies ameaçadas de extinção em PE e AL

Nesta sexta-feira (05), a Câmara Temática da Pesca, órgão do Conselho Gestor da Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais (APACC) se reúne para discutir sobre as espécies da fauna e da flora aquática que se encontram em risco de extinção. Dentre elas, mais de 80 tipos de peixes de interesse comercial, como o guaiamum, cuja pesca está proibida, e o budião azul. O encontro acontece no Centro de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (CEPENE), em Tamandaré, das 8h às 12h. “O objetivo é contribuirmos na construção de planos de recuperação dessas espécies”, explica Enilde Lima, presidente da Colônia de Pescadores de São José da Coroa Grande e membro da Câmara Temática da Pesca. A APACC compreende uma área entre Tamandaré (PE) e Maceió (AL).
Temas referentes às portarias 445/2014, 395/2016 e 161/2017 do Ministério do Meio Ambiente (MMA) estão na pauta do evento. A portaria de 2014 compreende três classificações: as Criticamente em Risco de Extinção (CR), as em Perigo de Extinção (EM) e as Vulneráveis (VU). “A lista das espécies vulneráveis, que inclui o pargo, sirigado, vários tipos de budiões, arraias e cações, é a que mais nos preocupa. Se não forem criados planos de recuperação, a pesca desses peixes ficará proibida e isso representa o comprometimento de mais de 60% das espécies com interesse comercial para a pesca artesanal”, explica Severino Ramos, presidente da Colônia de Tamandaré e membro da Câmara Temática da Pesca. O impacto na APACC já afeta o comércio na região. Para se ter uma ideia, no último mês de março, o Ibama multou uma peixaria em São José da Coroa Grande por comercializar sirigado. Foram mais de R$ 150 mil em multa, por conta de 134 quilos de peixe.

ORGANIZAÇÕES - A Câmara temática da Pesca é formada por sete organizações: Colônias de Pescadores Z – 21, 25 (Alagoas), CEPENE, Universidade Federal de Alagoas, Universidade Federal Rural de Pernambuco, IBAMA/AL e o Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP) Nordeste, atuando este último como coordenador da Câmara. Das reuniões participam como suporte a secretária do conselho gestor e a APACC, bem como representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação de Biodiversidade (ICMBio).  “Estamos articulando pescadores artesanais de onze municípios da área de abrangência da APA Costa dos Corais. A expectativa é contarmos com a participação de 25 lideranças, entre presidentes de colônias, associações e líderes comunitários da pesca”, explica Enilde. 






 Foto:http://www.osarrafo.com.br/v1/2013/10/04/ninguem-come-guaiamum-magro/
texto: Verônica Fox - GCI/Gestão da Comunicação Integrada.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

defesa de Tese: Territorio Pesqueiro de Uso Comum


Nas Águas da Organização as Mulheres Pescam Cidadania

A Articulação das Mulheres Pescadoras no Rio Grande do Norte, iniciam um novo processo, no
campo organizativo e no reconhecimento cidadã.

Com fogo na organização social e na articulação das mulheres pescadoras e marisqueiras do Rio Grande do Norte, que a Articulação das Mulheres Pescadoras constituir o projeto intitulado: “Nas águas da Organização Mulheres Pescam Cidadania”. O projeto passou por uma peneira na 3ª Chamada pública “ Mulheres Negras e Populares”, programa coordenado pela CESE e o SOS CORPO.
O projeto tem por objetivos: fortalecer e Evidenciar a Articulação das Mulheres Pescadoras do Estado do Rio Grande do Norte; Identificar e Incentivar as Mulheres Pescadoras que ainda não fazem parte da articulação; Entre outros pontos.
Lançamento do Projeto, em Sertãozinho/Macau. Foto: J. Elio souza
Estão previsto a realização de Reuniões, oficinas de formação e informação, mutirões, intercambio, incidência sobre os órgão públicos estaduais, federais e municipais, e Seminário e encontro de Avaliação e de comemoração dos 4 anos da ANP no Rio Grande do Norte.
No processo de animação e articulação estão previstas atividades nas comunidades do Bairro dos Navegantes, Barreiras, Diogo Lopes e Sertãozinho em Macau; além das comunidades pesqueiras de: Galinhos, Touros, Barra de Maxaranguape, Muriu e Natal.
Apoiam essa iniciativa: O Conselho Pastoral dos Pescadores Regional Nordeste II (CPP), a Comissão de justiça e Paz de Macau(CJP).
Na coordenação dos Trabalhos esta a Pescadoras/Marisqueira: Rita de Cassia, da comunidade dos navegantes e Articuladoras Estadual da ANP no Rio Grande do Norte.

Com o lançamento do projeto realizado no ultimo dia 22 de abril, na comunidade de Sertãozinho em Macau, que contou a participação de  lideranças de pescadoras de diversas comunidade e do Deputado Estadual Fernando Mineiro, que assumiu o compromisso de realizar um momento com as pescadoras do estado do RN, para discutir as mudanças na reforma previdenciárias os Segurados Especiais (Pescadores e Pescadoras Artesanais).
Texto: J. Elio Souza e Severino Santos

sexta-feira, 24 de março de 2017

COMUNICADO - NÃO HÁ RESTRIÇÕES A PESCA Do PEIXE AGULHA NA APACC

Foto: https://pt.dreamstime.com/imagem-de-stock-peixe-agulha-fresco-em-um-mercado-de-peixes-image23422781
O APA Costa dos Corais e o CEPENE/ICMBio vem comunicar a todos os pescadores e demais interessados que a pesca das espécies de peixe agulha, também conhecidas como agulhinha, agulha preta ou agulha branca, não estão proibidas. Informamos também que as equipes de fiscalização da APA Costa dos Corais não realizaram apreensões de agulha no município de São Miguel dos Milagres ou em qualquer outro município da APA. Caso os pescadores tenham agulhas apreendidas, favor solicitar o Termo de Apreensão por escrito ou o nome do fiscal e seu órgão de vinculação e entrar em contato com o ICMBio pelos telefones 82 3298 1346 ou 81 3676 1166 ou por e-mail através do endereço: apacc@icmbio.gov.br.

Atenciosamente,

Iran Normande - Chefe da APA Costa dos Corais/ICMBio

Leonardo Messias - Coordenador do CEPENE/ICMBio



Foto: https://pt.dreamstime.com/imagem-de-stock-peixe-agulha-fresco-em-um-mercado-de-peixes-image23422781