quinta-feira, 13 de novembro de 2014
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
CARTA ABERTA
Por uma reforma profunda da estrutura executiva de
Estado em defesa da pesca artesanal no Brasil
Mérida (México), 26 de Setembro de 2014
A pesca artesanal no Brasil é
responsável por pelo menos 50% da produção de pescado em todo o território
nacional oriundo das mãos de mais de 1,5 milhão de pescadores e pescadoras de
rios e mares brasileiros. No mundo inteiro, tal importância é ainda maior
culminando na realização do 2º Congresso Mundial de Pesca Artesanal organizado
por um grupo de pesquisadores do projeto internacional Too Big To
Ignore (“Grande demais para se ignorar”: uma parceria global para a
pesquisa sobre pesca de pequena escala). Este evento reuniu cerca de 440
pesquisadoras(es), membros da sociedade civil, e pescadoras(es) artesanais de
40 países, entre 20 e 26 de setembro de 2014, na cidade de Mérida, México. O
evento contou com uma participação ativa de brasileiros que compareceram como
uma das maiores delegações. Além disso, ocorreu um encontro e fórum de
pescadores, onde o Brasil foi representado por 3 lideranças da pesca artesanal
que participaram de trocas de experiências e preocupações.
Os desafios que os pescadores artesanais brasileiros enfrentam atualmente e o
calor das discussões durante o congresso incentivou integrantes da Teia
de Redes de Apoio à Pesca Artesanal no Brasil, pescadores, cientistas
pesqueiros e outros integrantes de organizações da sociedade civil, a um debate
paralelo sobre as causas estruturais dos problemas relacionados às políticas
públicas que vêm ou não sendo aplicadas à pesca artesanal no Brasil, e as suas
potenciais alternativas.
Embora exista consenso sobre a
necessidade de estruturas executivas de Estado para a implementação dos marcos
legais e políticas públicas de
ordenamento e fomento da pesca artesanal, o atual Ministério da Pesca e
Aquicultura (MPA) do Brasil, mesmo após cerca de 10 anos de existência, tem
demonstrado não atender aos anseios mínimos deste setor.
A estrutura do MPA parece estar apropriada por
interesses políticos partidários, descompromissada e insensível às
particularidades socioeconômicas e ecológicas relativas à pesca artesanal no
país. Esta falta de sensibilidade está patente, também, na completa ausência
física desse e dos demais Ministérios do Governo Federal ligados ao setor,
naquele que é considerado o principal fórum internacional do assunto, mesmo
após a busca ativa dos organizadores pelo apoio e participação. Sobretudo,
reiteramos que nesta ocasião, as estratégias de implementação das Diretrizes
para a Pesca de Pequena Escala (recentemente aprovadas no âmbito da
ONU/FAO/COFI) foram debatidas pela comunidade internacional, e seria da maior
importância que as organizações governamentais dos países membros trabalhassem
e se engajassem em prol do cumprimento e implementação dessas diretrizes.
Estas e outras constatações debatidas nesta
conferência demonstram que a atividade pesqueira artesanal não tem sido atendida
em suas reinvindicações, como a consolidação de uma politica territorial, a
abertura de diálogo, e o envolvimento do setor no aprimoramento e implementação
de políticas públicas efetivas em todos os níveis de Estado. O resultado deste
processo é a falta de coordenação, por parte do Estado brasileiro, das
informações e iniciativas geradas sobre e para a pesca artesanal. Reiteramos
que estes alertas vêm sendo apontados por manifestações do setor e academia,
movimentos sociais, e instituições da sociedade civil há muitos anos, sem
quaisquer respostas.
Nós, abaixo assinados, reconhecendo o momento
crítico, bem como a necessidade premente do futuro Governo Brasileiro de buscar
alternativas em consonância, transparência e diálogo com o setor pesqueiro
artesanal do país:
1) Reivindicamos uma profunda reestruturação da
estrutura institucional executiva de Estado ligado à pesca artesanal, que
inclua a composição de quadros técnicos qualificados, eliminando o fisiologismo
político e o loteamento do Estado brasileiro por interesses partidários, além
de uma maior ênfase e atenção à importância que esse setor representa para o
país;
2) Exigimos uma participação efetiva no referido
processo de reestruturação institucional para as políticas direcionadas ao
setor pesqueiro artesanal - inadiáveis para o próximo governo.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
sábado, 26 de julho de 2014
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Pescadoras artesanais recebem formação sobre saúde da mulher e do trabalhador (a) em curso para agentes multiplicadoras
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| Encontro de Mulheres - Olinda/2014. |
A pescadora Josana Pinto veio da cidade de Óbidos, no Pará, para se
juntar a outras 45 mulheres de comunidades pesqueiras de 12 estados do Brasil
no Encontro da Articulação Nacional de Pescadoras (ANP), que acontece desde
ontem, 09, no Centro de Formação Recanto do Pescador, em Olinda/PE. Com apoio
do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o
momento busca formar agentes multiplicadoras em participação na gestão do SUS e
na saúde do trabalhador e da trabalhadora. “Acredito que todas nós vamos sair
empoderadas para, em nossos estados, contribuir melhor para a saúde das
trabalhadoras da pesca”, comenta Josana, que ficará até o último dia do
Encontro, na sexta-feira, 13.
| Lia de A-Ver-o-Mar, pescadora Artesanal |
A formação aborda diversas instâncias sobre o SUS e a saúde ocupacional,
especialmente no que tange as políticas públicas específicas para as mulheres e
para o trabalho das pescadoras e das marisqueiras. Para contribuir com o
processo, a ANP conta com a participação de profissionais da área, como a
assistente social sanitarista e responsável pela política de saúde da população
negra do Recife, Sony Maria. A assistente social vem abordando a questão da
prevenção, atenção e direitos dentro da lógica e dos princípios do SUS,
colocando em evidência, inclusive, as questões do preconceito racial. “As
mulheres negras passam por situações mais dolorosas, o tratamento dado a elas é
bastante precário, e isso vai contra os princípios do SUS, é preciso denunciar
isso”, Sony.
Os próximos dias de formação trarão para os debates e conhecimento a saúde do trabalhador e da trabalhadora dentro do contexto dos povos do campo, das florestas e das águas. O grupo ainda aprofundará a temática no que tange o trabalho da pesca artesanal e da mariscagem,
abordando os riscos para doenças e
acidentes nessas atividades. Relacionado a esse debate, as pescadoras tomarão
conhecimento sobre os direitos previdenciários referentes às doenças de
trabalho e os processos de prevenção, tratamento e reabilitação dessas
enfermidades.
Emponderar as pecadoras nesse processo significa fortalecer a luta por vida digna nas comunidades pesqueiras. As mulheres do encontro poderão levar para suas realidades informações sobre como lidar com as questões de saúde e garantir seus direitos nesse âmbito. Vinda de Salinas da Margarida, na Bahia, a pescadora Elionice Sacramento enxerga o momento com força e otimismo. “Essa formação é muito importante para nós, mulheres pescadoras. Está sendo um momento de trabalho muito rico, produtivo e emocionante”, comenta.
Os próximos dias de formação trarão para os debates e conhecimento a saúde do trabalhador e da trabalhadora dentro do contexto dos povos do campo, das florestas e das águas. O grupo ainda aprofundará a temática no que tange o trabalho da pesca artesanal e da mariscagem,
| Ana Angélica - Quilombola de Povoação de San Lourenço |
Emponderar as pecadoras nesse processo significa fortalecer a luta por vida digna nas comunidades pesqueiras. As mulheres do encontro poderão levar para suas realidades informações sobre como lidar com as questões de saúde e garantir seus direitos nesse âmbito. Vinda de Salinas da Margarida, na Bahia, a pescadora Elionice Sacramento enxerga o momento com força e otimismo. “Essa formação é muito importante para nós, mulheres pescadoras. Está sendo um momento de trabalho muito rico, produtivo e emocionante”, comenta.
Articulação Nacional de Pescadoras no Brasil (ANP)
A ANP surgiu em 2006, na demanda que existia das mulheres da pesca artesanal se
afirmarem como agentes protagonistas na busca por seus direitos. A articulação
reúne 12 estados de todo Brasil e tem como principais pautas a saúde da mulher
na atividade pesqueira, o combate à violência de gênero, a defesa do território
pesqueiro e o fortalecimento da identidade das pescadoras artesanais.
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Arméle Dornelas
Assessora de comunicação Conselho Pastoral dos Pescadores - Nacional
www.cppnac.org.br
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