sexta-feira, 4 de março de 2016


 
 
Em defesa do Rio São Francisco, pescadores e pescadoras realizam Congresso Nacional na Ilha do Fogo entre os municípios de

Petrolina/PE e Juazeiro/BA.

 

“Grito do Rio e seu Povo na Busca do Bem Viver!” O tema escolhido para o Congresso dos Pescadores e Pescadoras Artesanais da Bacia do Rio São Francisco deixa claro a proposta do momento: os povos querem o São Francisco vivo! Com o apoio de movimentos e organizações parceiras, pescadores e pescadoras artesanais realizarão o congresso de 01 a 03 de abril, na Ilha do Fogo, entre as cidades de Petrolina/PE e Juazeiro/BA.

Em carta convocatória para o congresso, os organizadores evidenciam o aceleramento do processo de morte do Velho Chico. O incentivo do governo ao agro e hidronegócio, as barragens, a transposição e a privatização dos corpos d’água são algumas das ameaças apontadas ao São Francisco. “Os peixes diminuem em quantidade e em qualidade e as comunidades pesqueiras vêm perdendo seus territórios tradicionais e direitos já conquistados. As nascentes do Rio São Francisco se encontram em processo crescente de extinção. Na sua Foz o mar avança para”, denuncia a carta.

A estimativa é que cerca de 500 pessoas possam debater soluções para a revitalização do Velho Chico e o fortalecimento da identidade do seu povo. Serão cerca de 10 oficinas temáticas que também colocarão em evidência a importância da pesca artesanal para o povo brasileiro. “Precisamos dar atenção ao rio que proporciona geração de renda aos pescadores que vivem da pesca artesanal”, comenta a agente do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), Rizoneide Gomes.

 “Não deixe o Rio morrer, se não morre o ribeirinho de fome de sede e não sei mais o quê...!”, o canto popular dos povos do Velho Chico traduz a luta das pescadoras e dos pescadores por aquele que faz parte do imaginário e da vida de seus pais e filhos: o Rio São Francisco.  

Contato:

Rizoneide Gomes  – Juazeiro/BA –  (74) 9.8817-3904

Alice Borges – Juazeiro/BA –  (74) 9.8832-0221

Pedro Souza – Petrolândia/BA – (87) 9.9617-6694

Litercílio Nonato – Pilão Arcado/BA – (74) 3534-5036

Severino Santos – Recife/PE – (81) 9.9854-4639

Rafael Pereira – Buritizeiro/MG – (38) 9.9199-2975

Neuza Nascimento – Buritizeiro/MG – (38) 9.9823-4271

Josemar Duran – Pedra de Maria da Cruz/MG – (38) 9.9924-4889 e 9.9160-4460

 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Carta Convocatorio: Congresso dos Pescadores e Pescadoras Artesanais da Bacia do Rio São Francisco


Vamos Tecer a Rede do Bem Viver!

 

Louvado sejam os Pescadores e Pescadoras Artesanais da Bacia do Rio São Francisco, Lutadores e Lutadoras, Parceiros e Parceiras do Velho Chico.

 

Foto: J.Zinclar
Nos últimos dez anos acelerou-se o processo de morte do Velho Chico. O governo, nos três níveis, abraça o modelo de desenvolvimento predador. Avança destemidamente, a política econômica de exportação: o agronegócio, o monocultivo das pisciculturas, os canais de irrigação, a mineração, a transposição, as barragens com matriz energética insustentável... tudo isto, com os mais altos níveis de degradação envolvendo poluição, envenenamento, grilagem e privatização das terras e águas públicas, desmatamento e assoreamento dos rios. Os peixes diminuem em quantidade e em qualidade e as comunidades pesqueiras vêm perdendo seus territórios tradicionais e direitos já conquistados. As nascentes do Rio São Francisco se encontram em processo crescente de extinção.  Na sua Foz o mar avança para dentro do rio numa demonstração de que o Velho Chico está perdendo sua força. Junto com o Rio, as comunidades tradicionalmente pesqueiras sofrem todos os tipos de mazelas, inclusive o da pesca predatória.

Diante das atrocidades, os Pescadores e Pescadoras Artesanais vivenciam nas águas, a dor e o lamento do Velho Chico, mas, não cruzam os braços! Agora mais que nunca as comunidades tradicionais pesqueiras convocam os lutadores e lutadoras para um importante momento:

Realização do Congresso dos Pescadores e Pescadoras Artesanais da Bacia do Rio São Francisco.

Tema: Grito do Rio e seu Povo na Busca do Bem Viver!

Lema: Pescadores e Pescadoras Artesanais: Raiz de Esperança em Defesa da Identidade dos Territórios Pesqueiros e pela Revitalização Popular do Velho Chico.

O Congresso tem por Objetivo “Fortalecer as Articulações das lutas dos pescadores e pescadoras artesanais na afirmação da identidade e defesa dos territórios pesqueiros, contra a degradação e pela revitalização popular, recolocando a pesca artesanal da bacia do Rio São Francisco, no cenário nacional”.

Data: 01 a 03 de Abril de 2016.

Local: Ilha do Fogo em Petrolina/PE, de onde o Grito da Pesca Artesanal do São Francisco vai ecoar!

Organize sua comunidade e venha participar!

“Não deixe o Rio morrer, se não morre o ribeirinho de fome de sede e não sei mais o quê...!”
 
 
Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais do Brasil- MPP
Conselho Pastoral dos Pescadores - CPP
E-mail:cppnordeste2@bol.com.br

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Suape em cheque: agentes em defesa da pesca artesanal conseguem nova perícia para o caso do Complexo‏





Por assessoria de comunicação do CPP,
suape-em-cheque-agentes-em-defesa-da.html 
Foto: Méle Dornelas
 
Pescadoras na mariscagem na praia de SUAPE.
Desde que chegou ao litoral Sul de Pernambuco, na década de 70, o Complexo Industrial Portuário de Suape veio progressivamente interferindo na biodiversidade da região e, consequentemente, nas dinâmicas ambientais de todo estado pernambucano. Não bastasse, o Porto ataca ainda o modo de vida das populações tradicionais que, com o apoio de organizações e movimento em defesa da pesca artesanal, passaram a ser organizar para pressionar o Estado por medias que freiem o avanço dos impactos do Complexo.

Pescadoras e pescadores vêm denunciando a redução significativa do pescado, a dificuldade de locomoção para o trabalho, a poluição nas águas, o desmatamento dos mangues dentre outros impactos vindos com o crescimento desordenado, especialmente com o estabelecimento de dragagens para a construção de estaleiros. “Os impactos das dragagens são eternos porque pra manter a profundidade do canal tem sempre que estar cavando, e isso interfere na vida dos peixes, é assim que eles estão diminuindo”, destaca o pescador artesanal, Laílson Evangelista. 
Pescadores em atividades dentro no estuário
 com o estaleiro Atlântico Sul al fundo.

Já são mais de 10 anos de descumprimento da aplicação das compensações ambientais impostas pelo Ministério Público Federal por parte de Suape. Em 2011, os pescadores e as pescadoras de Cabo de Santo Agostinho e adjacências, junto com parceiros, conseguiram que o MPF entrasse com uma ação civil pública para resguardar seus direitos dos impactos vindos com as dragagens do Porto, além de pedir estudos mais aprofundados sobre o caso.

Desde então já foram diversas audiências para discutira questão. Em setembro desse ano, o Juiz federal, que vem acompanhando o caso, deu um prazo para as alegações finais no processo, ou seja, estipulou que já existem provas suficientes para um parecer, contrariando as demandas das comunidades pesqueiras e parceiros que pressionaram por uma nova perícia. 

Foi assim que nesse mês de novembro, o MPF aprovou o pedido de nova perícia para o caso, o que garante uma reavaliação mais justa dos impactos. “Analisar a ação com mais tempo é importante, pois dá condições de apurar os verdadeiros impactos. Que seja feita Justiça junto aos pescadores artesanais!”, se posiciona a agente do Conselho Pastoral dos Pescadores Nordeste (CPP NE), Laurineide Santana.