sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Documentário sobre conflitos em comunidades pesqueiras será lançado no Recife



12 DE FEVEREIRO DE 2015
PUBLICADO EM: ARTIGOS DESTACADOS, NOTÍCIAS

Documentário realizado pelo Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), “Vento Forte” será lançado no Recife no próximo dia 23, no cinema da Fundação Joaquim Nabuco.
A produção surge na necessidade em denunciar de forma mais ampla como o avanço da aquicultura empresarial, do turismo predatório e dos grandes projetos impacta comunidades pesqueiras de todo país, negando seus direitos e criando conflitos em seus territórios.
Para a secretária executiva do CPP, Maria José Pacheco, esse será um importante instrumento de luta política. Ela alerta para os riscos que o modelo neodesenvolvimentista traz para os pescadores e as pescadoras artesanais.
“Esse modelo passa por cima das comunidades só visando o lucro. As empresas chegam e levantam resorts e portos ameaçando o sustento de milhares de pessoas. Inclusive, já existem movimentos para privatizar águas públicas em diversas regiões. Esse momento é de luta para os pescadores e as pescadoras e o vídeo contribui muito para o processo”, explicou.
Para Severino dos Santos, que atua no CPP Nordeste, esses impactos podem ser visto com a ampliação do Porto de Suape em Pernambuco. “A produção pesqueira nos arredores do Porto está bastante prejudicada, o modo de vida das comunidades vem sendo ameaçado, e o documentário denuncia isso”, pontua.
O lançamento contará com a presença do Movimento de Pescadores e Pescadoras Antenais (MPP), que animará um debate após a exibição do filme. Na ocasião também serão coletadas assinaturas de adesão à Campanha Nacional pela Regularização do Território das Comunidades Tradicionais Pesqueiras.
Serviço:
Lançamento do documentário Vento Forte
Dia 23 de fevereiro, às 19h.
Cinema da Fundação Joaquim Nabuco – Rua Henrique Dias, 609.

Entrada gratuita.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Pescadores e Pescadoras artesanais realizaram na manhã de ontem assembleia para criação da Associação dos Extrativistas da RESEX ACAU GOIANA (Associação Mãe).




Após 15 meses de discussão nas 06 comunidades que compõem o grupo de beneficiários da Resex Acaú Goiana (Acaú, Caaporã (PB), Baldo do Rio Goiana, Tejucupapo, Povoação de São Lourenço e Carne de Vaca (PE). No processo de discussão junto as comunidades foram envolvidos diretamente mas 600 pessoas, entre homens e mulheres (beneficiários da RESEX). 

A Associação dos Extrativistas da RESEX ACAU GOIANA, tem por objetivo principal, “Defender e Preservar os meios de vida e a cultura dos pescadores, pescadoras e demais extrativista da Reserva Extrativista de Acau Goiana, seus ecossistemas e garantir as populações tradicionais locais e uso auto-sustentável dos recursos naturais renováveis, de forma a alcançar o equilíbrio ecológico e a qualidade de vida. Art. 3º do estatuto social.

Na assembleia Geral de Fundação, realizada ontem na sede da Colônia dos Pescadores Z – 14 de Goiana, na Rua Baldo do Rio, reuniram-se aproximadamente 60 pescadores/as beneficiários da RESEX, onde deliberaram pela criação da organização social, definiram seu objetivos e princípios, aprovaram o estatuto social e elegeram a Diretoria Colegiada e o Conselho Fiscal. 

Tendo a seguinte composição:
Diretoria Executiva:
Gilmarcos Ferreira de Lima, representante da Comunidade do Baldo do Rio, como presidente; Luci Brasilina Dias, representante da Comunidade de Acau, como vice-presidente; Zuleide Maria da Silva Guedes (ACAU) como 1ª secretária; Joel Ferreira da Silva, representante da Comunidade de Carne de Vaca como 1º Tesoureiros; 

Conselho Fiscal:
Dorgival dos Santos da Silva (Carne de Vaca) como Presidente do Conselho; Lenildo Paulo Francisco (Povoação de São Lourenço) e João José Ferreira de Souza (Tejucupapo), eleitos como 1º e 2º conselheiros respectivamente.

Para as suplências da Diretoria Executiva e Conselho Fiscal, foram eleitos Renilda Venceslau e Antonia, 2ª Secretária e 2ª Tesoureira. Manoel Teixeira das Chagas e Manuel Maciel da Silva, ambos da Comunidade do Congaçari no município de Caaporã/PB, assumiram a vaga de suplentes do conselho fiscal, juntamente com a pescadora Maria de Fátima do Nascimento, da comunidade do Baldo do rio.

O mandato da diretoria e conselho fiscal tem prazo de 03 anos. A atual diretoria tem como objetivo principal, junto ao órgão gestor da RESEX ACAU GOIANA, pleitear o CCDRU, buscar investimentos públicos para melhoria das condições de trabalho, moradia, saúde e educação dos beneficiários da Resex. 

Conselho Pastoral dos Pescadores Regional Nordeste II

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

CARTA ABERTA


Por uma reforma profunda da estrutura executiva de Estado em defesa da pesca artesanal no Brasil

Mérida (México), 26 de Setembro de 2014

A pesca artesanal no Brasil é responsável por pelo menos 50% da produção de pescado em todo o território nacional oriundo das mãos de mais de 1,5 milhão de pescadores e pescadoras de rios e mares brasileiros. No mundo inteiro, tal importância é ainda maior culminando na realização do 2º Congresso Mundial de Pesca Artesanal organizado por um grupo de pesquisadores do projeto internacional Too Big To Ignore (“Grande demais para se ignorar”: uma parceria global para a pesquisa sobre pesca de pequena escala). Este evento reuniu cerca de 440 pesquisadoras(es), membros da sociedade civil, e pescadoras(es) artesanais de 40 países, entre 20 e 26 de setembro de 2014, na cidade de Mérida, México. O evento contou com uma participação ativa de brasileiros que compareceram como uma das maiores delegações. Além disso, ocorreu um encontro e fórum de pescadores, onde o Brasil foi representado por 3 lideranças da pesca artesanal que participaram de trocas de experiências e preocupações.
            Os desafios que os pescadores artesanais brasileiros enfrentam atualmente e o calor das discussões durante o congresso incentivou integrantes da Teia de Redes de Apoio à Pesca Artesanal no Brasil, pescadores, cientistas pesqueiros e outros integrantes de organizações da sociedade civil, a um debate paralelo sobre as causas estruturais dos problemas relacionados às políticas públicas que vêm ou não sendo aplicadas à pesca artesanal no Brasil, e as suas potenciais alternativas.

Embora exista consenso sobre a necessidade de estruturas executivas de Estado para a implementação dos marcos legais e políticas públicas de ordenamento e fomento da pesca artesanal, o atual Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) do Brasil, mesmo após cerca de 10 anos de existência, tem demonstrado não atender aos anseios mínimos deste setor.

A estrutura do MPA parece estar apropriada por interesses políticos partidários, descompromissada e insensível às particularidades socioeconômicas e ecológicas relativas à pesca artesanal no país. Esta falta de sensibilidade está patente, também, na completa ausência física desse e dos demais Ministérios do Governo Federal ligados ao setor, naquele que é considerado o principal fórum internacional do assunto, mesmo após a busca ativa dos organizadores pelo apoio e participação. Sobretudo, reiteramos que nesta ocasião, as estratégias de implementação das Diretrizes para a Pesca de Pequena Escala (recentemente aprovadas no âmbito da ONU/FAO/COFI) foram debatidas pela comunidade internacional, e seria da maior importância que as organizações governamentais dos países membros trabalhassem e se engajassem em prol do cumprimento e implementação dessas diretrizes.

Estas e outras constatações debatidas nesta conferência demonstram que a atividade pesqueira artesanal não tem sido atendida em suas reinvindicações, como a consolidação de uma politica territorial, a abertura de diálogo, e o envolvimento do setor no aprimoramento e implementação de políticas públicas efetivas em todos os níveis de Estado. O resultado deste processo é a falta de coordenação, por parte do Estado brasileiro, das informações e iniciativas geradas sobre e para a pesca artesanal. Reiteramos que estes alertas vêm sendo apontados por manifestações do setor e academia, movimentos sociais, e instituições da sociedade civil há muitos anos, sem quaisquer respostas.

Nós, abaixo assinados, reconhecendo o momento crítico, bem como a necessidade premente do futuro Governo Brasileiro de buscar alternativas em consonância, transparência e diálogo com o setor pesqueiro artesanal do país:

1) Reivindicamos uma profunda reestruturação da estrutura institucional executiva de Estado ligado à pesca artesanal, que inclua a composição de quadros técnicos qualificados, eliminando o fisiologismo político e o loteamento do Estado brasileiro por interesses partidários, além de uma maior ênfase e atenção à importância que esse setor representa para o país;

2) Exigimos uma participação efetiva no referido processo de reestruturação institucional para as políticas direcionadas ao setor pesqueiro artesanal - inadiáveis para o próximo governo.