quarta-feira, 2 de abril de 2025

Pescadores de Maragogi, destino badalado do litoral alagoano, lutam para garantir o acesso ao território pesqueiro

 




Especulação imobiliária e turismo de luxo são as principais ameaças à comunidade pesqueira

14-03-2025
Fonte: 

Assessoria de Comunicação do CPP com informações do site 7 segundos





O processo de privatização de praias e dos territórios tradicionais dos pescadores tem avançado por todo o litoral brasileiro. Na comunidade pesqueira de São Bento, no município alagoano de Maragogi, a situação não tem sido diferente. O avanço de empreendimentos turísticos tirou o acesso dos pescadores e pescadoras artesanais à área utilizada tradicionalmente para a manutenção de barcos da pesca e para acesso ao mar.

Na manhã do dia 5 de março, os pescadores que fazem a manutenção das embarcações no porto próximo à foz do Rio Salgado, foram surpreendidos com uma nova cerca, que dificulta o acesso às embarcações que estão na área de manutenção, região que é utilizada pela comunidade há mais de 50 anos. “A gente tinha o acesso e o proprietário de um sítio foi lá e cercou o acesso, aí ficou um espaçozinho ao lado, onde fazemos o conserto das embarcações. A gente fazia a travessia, só para passar aqui. E agora ele fechou essa travessia e a gente precisa ficar passando por debaixo de arame”, conta o pescador e presidente da Associação dos Jangadeiros de São Bento, Josia Freire.

O avanço dos empreendimentos sobre as áreas tradicionais dos pescadores locais tem aumentado desde que o município de Maragogi se tornou um destino supercobiçado pelo turismo, frequentado por celebridades e badalado nas redes sociais. Localizado no litoral norte de Alagoas, a cidade é conhecida como o caribe brasileiro, famosa pelas belas praias e piscinas naturais entre os bancos de corais no mar.

A comunidade de São Bento, considerada a última fronteira entre os conflitos de pesca e turismo, está localizada na parte sul do município, próximo à divisa de município entre Maragogi e Japaratinga separados pelo rio Salgado. Há alguns anos foi instalado na margem sul do rio Salgado um novo Resort do Grupo Amarante, o Japaratinga Lounge Resort, o que elevou os interesses de investidores das redes turísticas nas terras da região de São Bento.

O Japaratinga Lounge Resort está instalado a menos de 250 metros da área dos pescadores, entre as áreas de restinga, manguezal e a rodovia estadual, a principal que liga Maceió a Pernambuco pelo litoral. Mais de 300 metros da praia do outro lado da via estão privatizados. Só quem usa são os hóspedes do hotel. Esse era o único trecho da rodovia que passava na beira do mar.

“A nossa preocupação maior é com o espaço do pescador, que fossem garantidas algumas áreas. Já estivemos conversando com a prefeitura, com IPUMA (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Maragogi), com o ICMBio e com a Marinha. A nossa preocupação também é porque o turismo inevitavelmente vai chegando e vai crescendo no município, então a gente queria que ficassem também os espaços do pescador e queremos atrelar o turismo para que funcione de uma forma que venha a preservar o meio ambiente. De uma forma que não seja tão agressiva”, defendeu Freire.

Para assegurar o território pesqueiro, os pescadores estão reivindicando que 7 pequenas áreas recebam o Termo de Autorização de Uso Sustentável (TAUS), um documento emitido pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU), que garante à comunidade a posse e permanência para fins de uso tradicional dos recursos naturais. A emissão da autorização garantirá a manutenção das áreas de embarque e desembarque, local para manutenção das embarcações e local para beneficiamento e comércio dos mariscos das mulheres.

Prefeitura de Maragogi também reivindica áreas

“Após os pescadores manifestarem interesse na emissão de TAUS, a prefeitura de Maragogi, com o objetivo de ‘garantir o ordenamento da orla marítima’ da praia de São Bento, tem proposto junto a SPU/AL, que ao invés de liberação de TAUS em favor dos pescadores, que as áreas sejam transferidas para a gestão municipal através de um documento de Cessão de Uso, o que tem sido contestando por algumas organizações que vem acompanhando a comunidade, como é o caso do CPP Nordeste 2”, explica o Secretário do Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP) regional Nordeste 2, Severino Santos.

Todas as áreas já foram visitadas pela SPU/AL, pelo Ministério Público Federal de Alagoas e pela Prefeitura de Maragogi, na última visita realizada na comunidade com a prefeitura. Por conta do procedimento Preparatório 1.11.001.000288/2024-59, instaurado pelo MPF, a prefeitura ficou de junto com a Associação local, de identificar quais as áreas são prioritárias para o TAUS e quais áreas são de interesse do município para a Cessão de Uso. “A reunião prevista entre a gestão municipal e a comunidade até o momento não ocorreu, já a especulação imobiliária e a pressão sobre as áreas dos pescadores só aumenta”, critica Santos. Para definir as áreas onde serão criadas as TAUS, uma das propostas é que seja feita uma oficina específica em São Bento com a participação da prefeitura.

Uma consultoria contratada pela Superintendência do Patrimônio da União (SPU), com recursos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) tem feito uma pesquisa para identificar áreas com potencial para concessão de Termo de Autorização de Uso Sustentável (TAUS), em Alagoas. Em reunião realizada na sexta-feira (7) entre o consultor, o MPF e a SPU, a procuradora da República que acompanha o caso, Juliana Câmara, demonstrou preocupação com o fato da prefeitura de Maragogi não ter realizado ainda oficinas com a  comunidade pesqueira, como havia sido acertado em 2024. Os resultados das oficinas devem ser apresentados ao MPF. A procuradora da República lembrou que desde o ano passado, os compromissos assumidos não foram cumpridos, atrasando as discussões sobre a viabilidade do TAUS e outras medidas de proteção territorial.

“O MPF continuará cobrando a realização dessas oficinas, fundamentais para garantir que as decisões sejam tomadas de forma participativa e transparente e enxerga a SPU como importante parceira nesse processo”, afirmou Juliana Câmara em matéria publicada no site de notícias "7 segundos".

A preocupação de Josia Freire é com a perda total do território pesqueiro e com o impacto que empreendimentos turísticos possam ter no meio ambiente. “Se deixar apenas construções, vamos perder a naturalidade do meio ambiente e vai perdendo também a preservação, porque as construções desenfreadas fazem isso. A gente está vendo que está perdendo todos os espaços”, lamenta.



Lançamento do Relatório de Conflitos Socioambientais em Comunidades Pesqueiras - 2024

 



📸 FOTOS - 🐟 Confira os registros do lançamento da 3ª edição do Relatório de Conflitos Socioambientais e Violações de Direitos Humanos em Comunidades Tradicionais Pesqueiras, realizado nesta terça-feira (1º), em Belém (PA). 🌊

🦀 O evento reuniu pescadores e pescadoras artesanais de diversas regiões, organizações parceiras, representantes da Igreja e do Ministério Público Federal, fortalecendo a luta por territórios livres, águas limpas e dignidade para os povos das águas.

📷 Álbum de fotos: https://flic.kr/s/aHBqjC7Dip 

📍Fotos: João Paulo / Pascom PS. Belém e Vitória Farias / ASCOM Movimento Providentino  

🔗 Saiba mais e baixe o relatório: https://bit.ly/427LM5i

domingo, 31 de julho de 2022

Pescadoras e Pescadores em Marcha e Por Via Fluvial na Luta Pelos Direitos dos Povos e Comunidades Tradicionais Pesqueiros.

 


Barqueata Dia 04 de Agosto 2022 

Mais de 100 anos de resistência e luta por Direitos da Pesca Artesanal, que segue, em meio a diversas violações, garantindo a saúde e soberania alimentar de toda a sociedade. A trajetória de luta vem demarcando e ecoando em diversos enfrentamentos as condições de vulnerabilidade e ausência de políticas efetivas que desenham um quadro de total descaso,  falta de compromisso e planejamento por parte das gestões  ao longo do processo histórico no compromisso com  a vida dos Povos e Comunidades Tradicionais Pesqueiros. 

O Racismo Ambiental avança desenfreadamente, violando as políticas ambientais, abrindo espaço para o desmatamento das áreas de mangue, envenenamento e privatização dos rios, especulação imobiliária, a priorização dos interesses do agro e hidro negócio, apoiados pela política genocida, a descaracterização das doenças ocupacionais, com efeitos diretos na aposentadoria desses profissionais. À ausência de planejamento no combate às mudanças climáticas, efeitos desastrosos que, nas últimas chuvas, deixou evidente o descaso com as necessidades desses territórios e com os enfrentamentos gerados pela perda total em consequência das enchentes. 

Anos de resistência demarcam pautas como a luta por direitos previdenciários e trabalhistas, a implementação das RESEX, a resposta e atendimento aos impactos do petróleo cru e da pandemia da covid-19, e a garantia e reconhecimento dos Povos e Comunidades Tradicionais, potencial invisibilidade na economia, mas que, a exemplo dos dados apresentados na  Pesquisa Morada de Peixe aplicada na Ilha de Deus, tendo em consideração apenas duas das espécies que ainda resistem nestes mangues, movimenta mais de 2 milhões ao ano. E que se posiciona contra a privatização das águas vinda de empreendimentos públicos/privados que não consultam às comunidades e impossibilitam o direito de ir e vir na maré, violação a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho - OIT, caracterizando-se como ato inconstitucional.


Informações:

caranguejouca@gmail.com

cppne@hotmail.com

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sexta-feira, 22 de julho de 2022

Barqueata celebra Dia Internacional para a Conservação dos Manguezais

🎣PESCADORES ARTESANAIS PEDEM CRIAÇÃO DE RESERVA EXTRATIVISTA 

🛶Uma barqueata no estuário do Rio Formoso, ao Sul de Pernambuco, vai celebrar na terça-feira (26) de manhã o Dia Internacional para a Conservação dos Manguezais. Está prevista a participação de 80 embarcações pesqueiras, que farão um percurso de 4,27 quilômetros. 

🕗A concentração está marcada para 8h, na Ponte do Rio Ariquindá, em Rio Formoso. De lá, a partir das 9h, os barcos seguirão para a primeira parada, no Píer de Maria Assu. O percurso inclui uma segunda parada na Praia da Pedra e a finalização com ato público na Prainha do Reduto. 

🗣️SOBRE A CAUSA 

 A barqueata tem como objetivo, além de celebrar a data, pedir celeridade no processo de criação da Reserva Extrativista do Rio Formoso. A proposta, encaminhada ao governo de Pernambuco em 26/7/2021, prevê a proteção de 2.615 hectares do estuário do Rio Formoso utilizados por 2.492 famílias de pescadoras e pescadores artesanais, entre elas 80 de quilombolas. O complexo estuarino inclui três rios: Formoso, Passos e Ariquindá. 

🗓️SOBRE A DATA 

A Unesco estabeleceu, em 6 de novembro de 2015, 26 de julho como Dia Internacional para a Conservação dos Manguezais. Nessa data é lembrada a morte, em 1998, do ativista do Greenpeace de nacionalidade micronésia Hayhow Daniel Nanoto durante um protesto em Muisne, no Equador. 

📝PETIÇÃO PÚBLICA: 

http://bit.ly/EuApoioaPescaArtesanal O quê: Barqueata #ProResexdorioFormoso Quando: Terça, 26/7/2022, 9h Onde: Estuário do Rio Formoso, PE Concentração: ponte sobre o Rio Ariquindá, às 8h 

 📡Localização da saída: 
https://goo.gl/maps/stC2eaWLLv1Lf71VA

quarta-feira, 29 de junho de 2022

29 de junho dia do pescador

🦀🐟🎣 29 de junho é Dia de São Pedro 😇 e dia do pescador e pescadora. Mas a festa em comemoração aos pescadores e pescadoras só fica completa com o respeito ao modo de vida dos povos das águas! 📌 Isso significa território pesqueiro garantido e direitos reconhecidos! Nesse Dia do Pescador e Pescadora, o CPP homenageia aos homens e mulheres que colaboram com a segurança alimentar do nosso país, mas que têm sido tão negligenciados pelo Estado brasileiro e tão violentados por projetos que desconsideram a importância dos povos das águas! 👏🏽 Viva São Pedro! 👏🏽 Viva ao pescador e pescadora artesanal!!!